Recentemente, a cidade de al-Fasher, na capital do estado de Darfur do Norte, foi palco de intensos combates entre o exército sudanês e o grupo paramilitar conhecido como Forças de Apoio Rápido (FAR).
Pelo menos 21 pessoas, incluindo mulheres e crianças, morreram durante a escalada da violência que ocorreu entre a noite de sábado e a manhã de domingo.
A Rede de Médicos do Sudão, juntamente com os Comités de Resistência de al-Fasher, confirmou que estas mortes aconteceram em várias áreas da cidade, que se encontra praticamente cercada pelas FAR desde Maio.
A Rede de Médicos reportou que 11 dos mortos foram identificados, alertando que a continuidade destes ataques poderá agravar ainda mais a já crítica situação humanitária na cidade, que abriga cerca de um milhão de pessoas, a maioria das quais são deslocados devido à guerra que começou em Abril de 2023.
Os Comités de Resistência acrescentaram que mais 10 pessoas foram mortas durante violentos confrontos e bombardeamentos que tiveram lugar na mesma noite, sublinhando a tragédia que se abate sobre a população civil. Até ao momento, não houve respostas por parte do exército ou dos paramilitares a estas alegações.
As FAR controlam a vasta região de cinco estados do Darfur desde o início da guerra, com a excepção de al-Fasher, onde diversas organizações humanitárias têm chamado a atenção para a deterioração das condições humanitárias e sanitárias.
O Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, expressou a sua condenação à “dramática escalada dos combates” em al-Fasher, apelando às partes envolvidas para procurarem uma solução pacífica. Borrell não excluiu a possibilidade de novas sanções europeias contra os beligerantes.
A guerra no Sudão iniciou em Abril de 2023, resultado de um desacordo entre o exército e os paramilitares sobre a inclusão destes no governo que surgiu após o golpe de Estado de 2021, que pôs fim à tentativa de democratização do país, que havia começado com a destituição do antigo presidente Omar al-Bashir em 2019.
Segundo as Nações Unidas, o conflito já provocou cerca de 20 mil mortes, 33 mil feridos, 7,9 milhões de deslocados internos e 2,1 milhões de refugiados em outros países.
















