O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reafirmou na segunda-feira que o seu Governo não entregará o país ao imperialismo, nem cederá o poder político à oligarquia e ao que classificou de fascismo.
Durante uma sessão do Conselho de Defesa e de Estado, realizada no Salão Sucre da Casa Amarilla, Maduro sublinhou a necessidade de uma resposta firme por parte das instituições contra os responsáveis pela violência que se seguiu às eleições.
“Não somos covardes. Não nascemos no dia dos covardes. Levantamo-nos com valentia, porque não entregaremos o nosso país, a riqueza deste país, ao imperialismo. Não entregaremos o poder político deste país a esta oligarquia fascista. Não vamos trair o nosso povo. Não é altura para traições”, afirmou Maduro, dirigindo-se ao alto comando militar e aos membros do executivo presentes na reunião.
Maduro destacou que é imperativo manter a união das instituições e do povo, alertando que o “fascismo mostrou a sua face criminosa” e que deve ser erradicado da sociedade venezuelana.
Embora tenha reconhecido que nem todos os que votaram na oposição apoiam a violência, o Presidente advertiu que “detrás do engano e da oferta mentirosa estava um plano de violência e de assalto ao poder”.
O líder venezuelano questionou ainda o paradeiro de Edmundo González Urrutia, o candidato opositor que a oposição alega ter vencido as eleições com quase 70% dos votos. Maduro acusou Urrutia de se esconder por medo e atacou a líder opositora María Corina Machado, acusando-a de incitar à violência e preparar grupos armados para alcançar o poder.
De acordo com Maduro, os opositores “com o seu ódio e fascismo” pretendiam desencadear um “banho de sangue” no país, algo que ele afirma ter conseguido evitar, garantindo que o seu Governo é o verdadeiro defensor da paz na Venezuela. Maduro exigiu que os responsáveis intelectuais e financiadores da violência sejam levados à justiça e afirmou que desta vez “não pode haver impunidade”, insistindo na necessidade de “desfascizar” a direita venezuelana.
Além disso, Maduro defendeu a regulação das redes sociais no país, alegando que estas “infectam a sociedade de anti-valores” e que, embora possam ser divertidas e úteis para a comunicação, também servem como ferramentas para a guerra.
Maduro anunciou que vai impulsionar a criação de leis para proteger o país e garantir o direito à paz, denunciando ainda que foi impedido de realizar transmissões no TikTok até 19 de Agosto. “A mim não me vão calar. Não vão calar a Venezuela, bandidos do TikTok, imorais donos do TikTok”, frisou.
Maduro também apelou ao presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, para acelerar a aprovação de leis contra o fascismo e o ódio no país.
As eleições presidenciais, realizadas a 28 de Julho, continuam a ser fonte de tensão. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) declarou Maduro vencedor com pouco mais de 51% dos votos, mas a oposição, liderada por Edmundo González Urrutia, contesta os resultados, alegando que Urrutia obteve quase 70% dos votos.
Diversos países da comunidade internacional também denunciaram uma possível fraude eleitoral e exigiram uma verificação independente das atas de votação, algo que o CNE diz ser inviável devido a um suposto “ciberataque”.
Os resultados eleitorais têm sido contestados nas ruas, onde manifestações têm sido reprimidas pelas forças de segurança, resultando em mais de 2.200 detenções e 25 mortos.
















