Milhares de pessoas voltaram a sair às ruas da Rússia na sexta-feira (20), para protestar contra a condenação de um ativista a quatro anos de prisão por alegado “incitamento ao ódio”.
As manifestações, que se arrastam há mais de uma semana, têm sido reprimidas pela polícia, que já fez dezenas de detenções.
A onda de protestos começou no dia 13 de janeiro, após a condenação de Fail Alsynov, um ativista dos direitos humanos da região de Bashkortostan, no sul da Rússia. Alsynov foi acusado de insultar trabalhadores migrantes da Ásia Central durante um protesto contra a exploração mineira, ocorrido há quase um ano.
A condenação de Alsynov foi amplamente condenada por organizações de direitos humanos, que a consideraram um ataque à liberdade de expressão. A manifestação desta sexta-feira, que reuniu milhares de pessoas em frente ao tribunal de Ufa, capital de Bashkortostan, foi uma forma de expressar o apoio ao ativista e de protestar contra a decisão judicial.
Entre os manifestantes, estava uma mulher que escreveu nas costas a expressão “Pessoas Negras”. A frase, que na região descreve a população que paga impostos, foi usada por Alsynov durante o protesto de 2023. A mulher foi detida pela polícia, que a acusou de “incitamento ao ódio”.
O Governo russo, que é pouco habituado à contestação, tem desvalorizado os protestos. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse esta sexta-feira que as manifestações não são “protestos em massa”.
Os protestos contra a condenação de Alsynov são raros na Rússia, onde o Governo tem um histórico de repressão à dissidência. A onda de protestos que se verifica há mais de uma semana é um sinal de que a insatisfação com o regime de Vladimir Putin está a crescer.

















