A polícia da Moldova deteve várias pessoas por “desordem pública” durante protestos em Chisinau, no domingo. As autoridades falam num grupo de manifestantes apoiados pela Rússia que foram treinados para causar tumultos.
O chefe da polícia, Viorel Cernauteanu, explicou que “um agente infiltrado juntou-se a um grupo de divisionistas, de alguns cidadãos russos, a quem alegadamente foram prometidos dez mil dólares para organizar o protesto na capital, Chisinau”.
O protesto de domingo foi um dos vários nas últimas semanas, organizados por um grupo que se intitula Movimento pelo Povo, apoiados pelo Partido Curdo aliado de Moscovo, que detém seis dos 101 assentos no Parlamento da Moldova.
Os cerca de 4.500 manifestantes protestam contra o Governo pró-Europa que acusam de ter aumentado acentuadamente o custo de vida.
Segundo a polícia, no total foram detidos 54 manifestantes, 21 menores, por violação da ordem pública. Alguns transportavam artigos proibidos. Foram ainda registadas quatro ameaças de bomba, uma delas no aeroporto internacional da capital.
Muitos dos comícios, organizados pelo partido do oligarca pró-russo Ilan Shor, foram condenados pelo Executivo moldavo, que fala de uma campanha patrocinada pelo Kremlin. Acredita-se que Ilan Shor tenha fugido para Israel depois de ter sido condenado por envolvimento no roubo de mil milhões de dólares dos bancos da Moldova.
Inflação de 30%
No último ano, a Rússia reduziu o fornecimento de gás ao país, o que levou a um aumento nas faturas até seis vezes. A crise energética e a guerra na vizinha Ucrânia contribuíam para que a inflação atingisse os 30 por cento.
Com a ajuda do Ocidente, o Governo do subsidiou as contas de energia. No entanto, muitos dos 2,6 milhões de habitantes continuam a debater-se com dificuldades.
A ex-república soviética, localizada entre a Roménia e a Ucrânia, tem uma grande minoria russa. Nos últimos anos, tem-se posicionado como pró-Ocidente intensificando a tensão com Moscovo.
Como vizinha da Ucrânia, a Moldova encontra-se numa posição geopolítica precária. Cerca de 1.500 tropas russas estão estacionadas no Estado dissidente da Transnístria, apoiado por Moscovo.
A Transnístria, uma região industrial na fronteira com a Ucrânia, separou-se da então Moldávia em 1992, após uma curta guerra. Desde então, soldados russos foram destacados para este território, que possui grandes depósitos de armas.

















