A Junta Militar, que ocupa o poder no Burkina Faso, anunciou, esta terça-feira, a expulsão do embaixador da França no país, naquilo que está a ser entendido nos meios diplomáticos locais como mais um passo na progressiva aproximação com a Rússia, onde na semana passada esteve o seu Primeiro-Ministro.
A Junta Militar do Burkina Faso expulsou ontem o embaixador da França, naquele que é mais um passo que reflecte o aumento do sentimento anti-francês à medida que o país se aproxima cada vez mais da Rússia. O porta-voz do governo, Jean-Emmanuel Ouedraogo, confirmou à Associated Press (AP) que o embaixador Luc Hallade foi convidado a sair, mas não forneceu mais detalhes. A Embaixada francesa recusou-se a comentar. A expulsão de Hallade ocorre menos de duas semanas depois que a residente e coordenadora humanitária das Nações Unidas no Burkina Faso, Barbara Manzi, também foi declarada persona non grata.
O Burkina Faso tem sido assolado pela violência ligada à Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico, que matou milhares e deslocou quase 2 milhões de pessoas. O actual regime militar derrubou uma junta anterior no ano passado, alegando que não havia feito o suficiente para parar os combates. A junta anterior havia citado a mesma razão para tomar o poder de um governo civil meses antes.
O sentimento anti-francês tem crescido na ex-colónia francesa desde que o novo líder da junta, o capitão Ibrahim Traore, assumiu o poder em Setembro. Traore tem estado mais aberto a trabalhar com outros países, nomeadamente a Rússia. No mês passado, o primeiro-ministro, Apollinaire Joachim Kyelem de Tambela, visitou Moscovo para fortalecer as relações e consolidar os esforços para combater os extremistas na região, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
A França enviou tropas para a região do Sahel, na África Ocidental, em 2013, quando ajudou a expulsar extremistas islâmicos do poder no Norte do Mali, mas enfrenta uma crescente resistência dos governos locais, que dizem que os soldados franceses produziram poucos resultados contra os jihadistas. As forças francesas deixaram o Mali no ano passado, depois que as relações com a junta se desgastaram. Os franceses ainda têm várias centenas de tropas das forças especiais baseadas no Burkina Faso. A expulsão de Hallade ocorre um ano depois que a Junta Militar do Mali também expulsou o embaixador da França em Bamako.
Enquanto os líderes militares do Burkina Faso listam a restauração da segurança como a sua principal prioridade, os ataques extremistas continuaram e estão a aumentar. Na semana passada, pelo menos dez pessoas morreram quando um autocarro accionou uma bomba plantada à beira de uma estrada no Leste do país. Os jihadistas sitiaram cidades, impedindo que as pessoas se movam livremente e criando uma crise humanitária que está a levar dezenas de milhares de cidadãos à fome.














