O partido Anamola acusou as autoridades moçambicanas de promoverem uma perseguição política contra o seu presidente, Venâncio Mondlane, bem como contra vários membros da formação política, em consequência das manifestações que se seguiram às eleições gerais de Outubro de 2024.
Em declarações públicas, a delegada provincial do Anamola em Tete, Claudina Guimarães, criticou a actuação do Ministério Público, alegando que este age de forma parcial ao avançar com um processo judicial contra Mondlane. As acusações contra o líder do partido incluem incitamento à desobediência colectiva e terrorismo, relacionadas com os protestos pós-eleitorais.
Claudina Guimarães expressou preocupação com a imparcialidade da justiça, questionando por que Venâncio Mondlane está a ser chamado a tribunal, enquanto, segundo a sua perspectiva, permanecem impunes aqueles que seriam os responsáveis pela fraude eleitoral e pela repressão violenta das manifestações.
A dirigente não hesitou em apontar o antigo comandante-geral da Polícia, Bernardino Rafael, como um dos principais responsáveis pelos acontecimentos, questionando: “quem ordenou a actuação das forças no terreno e quem beneficiou do alegado desvio de votos?”. Ela lembrou episódios de violência em várias áreas da província de Tete, como Caphiridzange, Macanga, Angónia e Samoa, onde, segundo afirmou, “forças de segurança dispararam contra civis indefesos, provocando mortes”.
Em entrevista à RFI, Claudina Guimarães manifestou incompreensão pelo fato de que esses casos de violência não tenham sido levados à justiça, ao mesmo tempo que reiterou que o processo contra Venâncio Mondlane carece de fundamento. Defendeu que as manifestações não podem ser atribuídas a uma única pessoa e pediu que, se houver responsabilização, “se notifique todo o povo moçambicano”, enfatizando o descontentamento generalizado face ao que descreveu como sucessivos episódios de injustiça, desde supostas fraudes eleitorais até à repressão violenta dos cidadãos.
O partido Anamola argumenta que os processos judiciais em curso fazem parte de uma estratégia de intimidação política, num contexto ainda marcado pela contestação aos resultados eleitorais. A formação exige maior transparência e imparcialidade das instituições judiciais, defendendo que todos os crimes potenciais, incluindo os relacionados com a alegada fraude eleitoral e a atuação das forças de segurança, sejam devidamente investigados.
Até o momento, não houve uma reação oficial do Ministério Público às acusações feitas pelo partido Anamola.

















