Sociedade Cidadãos com deficiência queixam-se de exclusão política

Cidadãos com deficiência queixam-se de exclusão política

As pessoas com deficiência afirmam que não têm conseguido votar desde as primeiras eleições em Moçambique, em 1994, devido à sua condição. Comissão Nacional de Eleições promete melhorias nos próximos pleitos.

Estas são as conclusões de uma pesquisa do FAMOD sobre a participação política das pessoas com deficiência em Moçambique, apresentada esta quinta-feira (21.04) em Maputo.

Queixam-se, por exemplo, que não há boletins de voto em braille, cabines de votação apropriadas e rampas para acesso aos postos de votação.

Cantol Pondja, presidente do Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD), pede por isso a criação de uma lei eleitoral inclusiva.

“Que as pessoas com deficiência possam sentir-se úteis na sociedade a partir dos lugares de votação, que devem ser muitos acessíveis”, defende.

Os próprios boletins de voto “devem ser acessíveis”, acrescenta Pondja. E as “mensagens divulgadas devem ter em conta as diferentes tipologias de deficiência e garantir este voto aberto. Que as pessoas com deficiência possam de livre vontade ir votar”.

A crítica é dirigida também aos partidos políticos. O FAMOD acusa as formações políticas de pouco ou nada fazerem para que as mensagens dos manifestos eleitorais cheguem devidamente aos cidadãos com deficiência.

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“Prometem tanto, mas as pessoas com deficiência auditiva não ouvem o que eles estão a prometer,” relata o presidente do FAMOD.

A organização diz que uma forma de solucionar o problema é através da inclusão das pessoas com deficiência nos órgãos eleitorais.

“Nós temos de ser incluídos em todos os processos de planificação e garantir que todas as políticas sejam atualizadas,” defende Cantol Pondja.

“As pessoas com deficiências psicossociais são proibidas de votar”, exemplifica.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) tomou nota das queixas. O presidente do órgão, Carlos Matsinhe, admitiu que esta é uma questão por refletir.

“Temos conhecimento de que, já no ciclo passado, a Comissão Nacional de Eleições fez mais do que tinha feito anteriormente. Esperamos que, neste ciclo, seremos capazes de, com a ajuda de todos, fazermos cada vez mais – por exemplo, na área de educação cívica, na questão das cabines e dos acessos”, enumera.

Carlos Matsinhe deixa uma promessa para as eleições autárquicas de 2023 e para as presidenciais, previstas para 2024: “Aquilo que pudermos fazer, dentro deste ciclo que iniciou, a CNE vai fazer, para que o acesso seja possível, para que todos os cidadãos, independentemente das suas condições físicas, possam participar nos pleitos eleitorais.”

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