A Linha férrea do Corredor de Nacala, que liga o porto de águas profundas e o interior das províncias de Nampula, Tete e Niassa, arrasta consigo riscos de vária ordem para os munícipes.
Na cidade de Nampula, os comboios atravessam vários bairros residenciais, incluindo o centro da cidade onde se localiza a estação central dos CFM. O dia-a-dia dos munícipes tem sido tenebroso, pois, por um lado, algumas passagens de nível não têm guarda nem cancelas e, por outro, estão as zonas comerciais e residenciais a menos de 10 a 20 metros.
Aliás, o maior perigo está no mercado grossista do Waresta, onde a linha férrea atravessa o local entre o centro de vendas e a estrada de acesso, tendo já sido reportados vários casos de cidadãos trucidados por comboios.
Diariamente, para além dos comboios carregados de carvão e vazios, já de regresso, com composições de mais de 100 vagões, a linha é usada também pelos comboios de passageiros e carga, estes últimos maioritariamente com destino para o Malawi.
Não se consegue estimar o número médio de comboios diários mas, de acordo com informações populares, rondam os 20, tomando em conta os sentidos ascendente e descendente. Aventa-se a hipótese de no intervalo de uma hora passar um comboio pela zona.
Com o projecto de transporte do carvão mineral de Moatize, na província de Tete, para o terminal de Nacala-à-Velha, na província de Nampula, que movimentaria dezenas de comboios por dia, chegou a existir a possibilidade de a nova linha contornar o centro da cidade de Nampula, através de um ramal, a partir da vila-sede distrital de Rapale, até ao posto administrativo de Anchilo.
Não tendo concretizada a projecção, por alegada exiguidade de fundos do investidor, o cenário é actualmente de risco, dada a interferência de comboios na mobilidade urbana, que afecta não somente os pedestres como também veículos diversos quando pretendem passar de um lado para o outro.
Como forma de minimizar a situação, a empresa gestora da linha férrea decidiu instalar-se em zonas consideradas críticas, em termos de segurança, pontes pedonais, concretamente na chamada antiga Gorongosa, na ECMEP, nos bairros de Namutequeliua, Murrapaniua e Nampaco, para além da construção de muros de vedação ao longo da linha férrea no interior da cidade.
Entretanto, a população não usa as pontes pedonais e até vandaliza os muros de vedação para usar a via mais rápida de travessia da linha férrea.
















