Sociedade Chuva inunda casas, ruas e azeda relações entre vizinhos em Maputo

Chuva inunda casas, ruas e azeda relações entre vizinhos em Maputo

Velhos problemas de saneamento na capital moçambicana vieram à tona, na sexta-feira (12), com a chuva que cai desde a madrugada. Já há ruas e casas alagadas como consequência da situação. Os charcos atiçaram conflitos entre vizinhos, que não se entendem sobre qual deve ser o trajecto da água das chuvas. Alguns escoam a água para um lado da rua, mas outros devolvem-na. E todos põem-se aos gritos, buscando razão.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) já tinha feito a previsão de chuvas na cidade de Maputo e com isso já se podia imaginar os estragos de costume. Sempre que chove, vários bairros da urbe, sobretudo na periferia, ficam inundados. Os solos, já saturados, quase não “sorvem” nada. Por conseguinte, famílias, mas centenas de famílias, andam com as mãos à cabeça, fazendo contas aos prejuízos.

As ruas dos bairros da capital do país estavam intransitáveis até ao fim da sext-feira. E segundo a previsão do INAM, mais chuva vem aí. Ou seja, o sofrimento pode estar longe do fim. Para poder entrar e sair das suas residências, os moradores mergulham, literalmente, na água contra todos os riscos de contrair doenças.

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“Tivemos que colocar as nossas camas sobre as mesas. Já não temos onde sentar e muito menos dormir. As nossas crianças estão a passar mal por conta da água”, contou Assucena, residente do bairro Albazine, na cidade de Maputo, onde também sempre que chove o desespero é evidente.

Bom, este é o problema que, ciclicamente, ocorre quando cai a chuva, mas desde 2019, foi agravado com a colocação de uma barreira no meio da rua que separa três quarteirões. Na verdade, o obstáculo em causa, segundo os moradores do quarteirão 25, os que se sentem mais lesados, alterou o caminho natural da água e eles é que sofrem.

“Essa lomba faz com que a água vá para casa das outras pessoas e isso piora porque não temos uma bacia ou drenagem”, queixou-se Jeremias, acrescentando que tentou achar uma solução junto do secretariado do bairro, administração do distrito, mas “não tiveram resposta e escrevemos uma carta para o presidente do município e, também, foi em vão”.

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