O desrespeito às medidas de prevenção à Covid-19 fez disparar o número de casos na província de Inhambane, no sul de Moçambique. Autoridades dizem-se preocupadas e reforçam a sensibilização comunitária.

Aglomeração de pessoas nas praias, não uso das máscaras e défice na lavagem das mãos são apontadas como as principais causas do aumento massivo dos casos de Covid-19 em Inhambane, Moçambique.

Nos primeiros dias de 2021, o setor da saúde da província testou cerca de mil cidadãos, sendo que metade das amostras teve resultado positivo.

Sónia Maesso, do Conselho da Secretaria e Representação do Estado em Inhambane, considera o cenário de desobediência das medidas de prevenção preocupante e apela por mais sensibilização e cuidados redobrados.

“Cerca de duzentos e vinte casos só na primeira semana deste mês é um cenário que realmente preocupa neste momento. O que verificamos é que as pessoas não estão a usar a máscara e são atitudes que não coadunam”, lamenta.

Turismo doméstico leva a agravamento

Tofane Abibo, residente em Inhambane, diz que o aumento dos casos de coronavírus na província foi motivado pelo turismo doméstico registado durante o período das festas.  Visitantes da capital, Maputo, – uma das área do país com maior número de casos – teriam estado na província.

“Em Moçambique o coronavírus está mais centrado na cidade de Maputo e muitos citadinos apareceram aqui por causa das nossas praias que são atraentes, daí ter subido para este número galopante. O governo não diz nada de praias, bares e concentrações, pelo menos seria medida”.

Cada um deve ser responsável

Filas para comprar bilhete para viagem de barco.

Jossias Moiane, sapateiro em Maxixe, disse à DW, que a maioria das pessoas acredita que a Covid-19 já não existe.

“Essa gente confia que o coronavírus já acabou, sendo que não, ainda continua. É por isso que muita gente anda sem máscara. O governo devia ver bem com estas pessoas que andam sem máscaras”.

Elvira Xirinda, porta-voz do Conselho da Secretaria e Representação do Estado em Inhambane, defende que, para se evitar o colapso, a responsabilidade é individual.

“É o trabalho de sensibilização porque cada um é responsável, a Covid-19 não acabou. Tudo aquilo que são as medidas de prevenção temos que continuar porque caso contrário vamos caminhar para um colapso”, sublinha.

Moçambique regista 22.996 casos positivos, dos quais 22.680 são de transmissão local e 316 são importados. A capital do país concentra o maior número de pessoas ainda infetadas, com 2.974, do total de 4.621 casos ativos.