Um jovem morreu após ser baleado durante um novo ataque em Sofala, disse ontem (11), o porta-voz da Polícia da República de Moçambique naquela província do centro do país.
O ataque ocorreu em Zove (Muxungue) no sábado (09) e a vítima, de 22 anos, perdeu a vida no Hospital Distrital de Muxungue, disse Daniel Macuacua, numa conferência de imprensa ontem na província de Sofala.
Segundo o porta-voz da polícia moçambicana, a vítima seguia numa viatura que foi atacada na Estrada Nacional N.º1 por homens armados da autoproclamada Junta Militar da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), um grupo de guerrilheiros dissidentes do maior partido de oposição acusado pelas autoridades de protagonizar emboscadas e ataques a viaturas nas estradas e aldeias do centro de Moçambique.“Foi destacada uma equipa das Forças de Defesa e Segurança que continua no terreno a trabalhar, sobretudo, a efetuar trabalhos de vasculha nas matas para neutralizar estes bandidos”, acrescentou Daniel Macuacua.

O grupo de Mariano Nhongo exige melhores condições de reintegração, a renegociação do acordo de paz de 2019 entre o Governo e a Renamo e a renúncia do atual presidente do principal partido da oposição, Ossufo Momade, que acusam de ter desviado o processo de negociação dos ideais de seu antecessor, Afonso Dhlakama, líder histórico que morreu em maio de 2018.

Em outubro, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tinha anunciado uma trégua na perseguição das Forças de Defesa e Segurança (FDS) à Junta Militar da Renamo durante sete dias, mas tentativas de aproximação para um diálogo fracassaram, com as duas partes a trocarem acusações.

Após o fracasso das primeiras tentativas de negociação, o Presidente moçambicano anunciou operações de grande vulto contra bases da autoproclamada Junta Militar no centro de Moçambique, avançando que as Forças de Defesa e Segurança capturaram três homens próximos do líder do grupo, Mariano Nhongo, um dos quais era seu assistente de campo.

Em finais de dezembro, o líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo anunciou a suspensão das emboscadas e ataques de viaturas nas estradas e aldeias do centro de Moçambique, para permitir o início de negociações de paz com o Governo, mas nada mais foi dito sobre o assunto publicamente.

Os ataques atribuídos à Junta Militar da Renamo no centro de Moçambique já provocaram a morte de, pelo menos, 31 pessoas desde agosto de 2019.