O Ministério da Saúde voltou a fazer soar o alarme por conta do aumento de infecções e, consequentemente, de hospitalizações por causa da COVID-19 no país. Disse que a capacidade de internamento está a chegar ao limite no Centro de Saúde da Polana Caniço e se os casos positivos não frearem, o colapso será inevitável. Contudo, para aliviar a pressão sobre aquela unidade sanitária, está a preparar camas no Hospital Geral de Mavalane.

O novo Coronavírus está a pressionar sobremaneira os hospitais públicos e privados em Moçambique. A cada dia, os números da doença disparam e o Governo diz que está a buscar soluções flexíveis para o problema.

Ontem, o Ministério da Saúde disse que vai aumentar camas no Hospital Geral de Mavalane para o internamento de doentes infectados pela COVID-19. A preparação de camas visa assegurar que o hospital sirva de suporte em caso de esgotamento da capacidade na “Polana Caniço”.

“Neste momento, estamos já a avançar com 156 camas para o Hospital Geral de Mavalane” e nelas será “colocado o oxigénio”, um dos componentes fundamentais no tratamento de pacientes hospitalizados.

Ussene Isse, director nacional de Assistência Médica no Ministério da Saúde, disse ainda que “caso não se mude” de postura em relação à doença que desde Dezembro de 2019 assola o mundo, os danos podem ser maiores do que os que já são conhecidos.

Todos os dias, doentes em estado crítico e grave dão entrada nos hospitais preparados para casos do novo Coronavírus. Grande parte desses enfermos precisa de oxigénio e ventiladores para sobreviver. Para a Saúde, dois aspectos agravam o estado de saúde de um paciente e a situação pode levar à morte, nomeadamente a hipertensão arterial e a diabetes.

Segundo Ussene Isse, em situações desta natureza, a automedicação pode ser fatal, pois a pessoa corre o risco de provocar outras complicações no organismo. Por isso, o dirigente apelou para que a toma de fármacos aconteça sempre sob prescrição médica.

“Não tomem antibióticos, por favor. O protocolo do tratamento da COVID-19 que o sector aprovou e para doentes que apresentam sintomas”, não permite que se recorra à automedicação. Conforme o esclarecimento do médico, existem pacientes que “não precisam tomar os antibióticos”.

Aqueles que lhes foram prescritos medicamentos que a administração seja tal como os profissionais de saúde indicaram. E “continuem a beber a água com limão, mel, gengibre, façam o bafo com eucalipto e, sobretudo, fiquem em isolamento domiciliar”.

Por sua vez, o Instituto Nacional de Saúde fez saber que a taxa de positividade aumentou em três por cento nas últimas duas semanas em quase todas as províncias do país. Actualmente a média nacional de positividade está em torno dos 25 por cento.

Durante a conferência de imprensa para actualização dos dados sobre a COVID-19 no país e no mundo, o director nacional de Inquéritos no Instituto Nacional de Saúde, Sérgio Chicumbe, explicou que entre a última semana de Dezembro e início de Janeiro em todas as províncias houve um aumento de positividade na ordem acima dos três por cento.

No entanto nem tudo corre mal, na medida em que as províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia apresentam uma situação estacionária, com rácio de cerca de 1%. A província de Inhambane registou um decréscimo de 0,7% relativamente à positividade nos testes para o novo Coronavírus.