Moçambique está em condições de viver uma paz efectiva em todas as regiões, sendo necessária a participação activa de todos os cidadãos, dando o melhor de si para o efeito.

A ideia foi defendida pela deputada da Assembleia da República pela bancada da Renamo, Ivone Soares, numa entrevista concedida à Rádio Moçambique, no âmbito do balanço do ano político 2020, na qual disse acreditar que todos os moçambicanos estão interessados em viver num ambiente de paz, onde possam desenvolver as suas actividades e salvaguardar o bem-estar das futuras gerações.

“Acredito numa paz efectiva e geral para todo o país, do Norte a Sul. Estou satisfeita por saber que há caminhos para uma paz efectiva e há moçambicanos que sempre encontram uma solução para todos os problemas. Vamos trabalhar para a paz”, disse Ivone Soares.

Referiu que na situação do terrorismo em Cabo Delgado, um dos problemas que periga a paz, o país falhou no princípio quando foram registados os primeiros sinais de insurgência, pois se acreditava que a situação era controlável.

Apesar desta falha, a deputada avançou que se não houver condições internas para lidar com o fenómeno, o Governo deve, com muita humildade, pedir apoios concretos à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), bem como aos outros países do continente, para que o problema seja resolvido de forma permanente, sem deixar sequelas.

Para além do continente, Ivone Soares sugere que se peça apoio às Nações Unidas, por forma a ter uma paz efectiva em todo o território moçambicano, pois não interessa resolver somente o problema de Cabo Delgado.

“É preciso analisarmos qual é o problema de fundo para que nós, como país, estejamos ciclicamente em conflitos, se são eleições ou são cenários de insurgência. Temos que pensar no que está a falhar, se é um problema de gestão do país, pobreza ou falta de oportunidade para todos. É perceber qual é o problema de fundo”, disse Ivone Soares, acrescentando que se for identificado o problema será possível avançar seriamente para resolvê-lo.

Falou das assimetrias entre as regiões Sul, Centro e Norte, onde as oportunidades são visíveis, mas a tendência das desigualdades entre os que têm e os que não têm tendem a tornar-se graves. Questiona se tal situação estará ou não associada às duas guerras que o país está a enfrentar, salientando que é preciso garantir o equilíbrio.

Acrescentou que existem muitos jovens que constituem a mão-de-obra activa e poderosa, mas não têm nenhum horizonte sobre o que vão comer no dia seguinte.

Essa situação, segundo disse, cria espaço para que as pessoas embrenhem em esquemas que nem elas entendem o alcance dos problemas que criam quando se faz um conflito, tal como aconteceu com os cerca de 50 jovens que foram mortos por terem-se recusado a juntar-se aos insurgentes.

“Apelo para que todo o cenário de confrontação cesse e se procure no diálogo a melhor forma para colocar na mesa o que lhes preocupa ou o que gostariam de atingir com tudo isso”, apontou Ivone Soares.