O seleccionador nacional de basquetebol sénior masculino, Milagre Mila Macome, admite abandonar o cargo, caso essa seja a vontade da Federação Moçambicana da modalidade após o fracasso nas eliminatórias para o “Afrobasket” 2021.

Três jogos, igual número de derrotas. Os números e as estatísticas são reveladores do autêntico fracasso da selecção nacional de basquetebol sénior masculino na primeira janela de apuramento ao Campeonato Africano, prova na qual perdeu com Angola (87-58), Senegal (53-60)  e a sensação Quénia (79-62).

Inferior técnico e tacticamente, condicionada fisicamente e sem capacidade reacção, Moçambique caiu aos pés do Quénia com números preocupantes que podem comprometer o objectivo de se qualificar ao “Afrobasket”: 17 pontos. Na hora de acerto de contas, quem assume a responsabilidade por mais um desaire do cinco nacional?  Sem rodeios e evasivas, Macome deu o peito as balas.

“Assumo total responsabilidade daquilo que aconteceu, nós preparamos o possível, viemos para esta competição cientes de que teríamos dificuldades acrescidas, por causa do contexto que nós estamos a viver neste momento os nossos principais jogadores estão em sub-rendimento, não estão no máximo sãs suas totais capacidades e vieram participe numa competição destas condicionados, nas assumimos as responsabilidades, nós é que selecionamos os atletas e nós é que não fizemos o devido ‘scouting’, só?”, disparou “Mila”.

Sete dos doze atletas nacionais que disputaram a prova são do Ferroviário de Maputo, clube, por sinal, orientado pelo seleccionador nacional.

Trata-se de Orlando “Nando” Novela, Custódio Muchate, Milton “Mitó” Caifaz, Hugo Martins, Pio “Lingras” Matos, Inélcio “Chirinho” Chire e David “Mano” Canivete.

Algumas das escolhas levantaram questionamentos, sobretudo, em termos de qualidade e valor acrescentado no cinco nacional porquanto atletas de outros clubes se terem destacado na Liga Moçambicana de Basquetebol e Campeonato da Cidade.

“Cada treinador tem o seu critério. Quero acreditar que, qualquer um dos treinadores em Moçambique, se assumisse o cargo teria os seus critérios. Eu, Milagre Macome, tenho os meus critérios e achei que nesta competição estes é que reuniam condições para disputarem está competição. Se calhar se me perguntassem sobre a táctica usada aceitaria, mas sobre os critérios é discutível porque qualquer um de nós tem os seus critérios”, argumentou Milagre

A falta de competições ao nível interno e ritmo competitivo são elencados também como factores que contribuíram para a fraca prestação.

“As outras equipas estão melhor preparadas que nós. Infelizmente, os outros jogadores das outras selecções estão melhor preparados que nós. Eles estão melhor física, mental e tacticamente e  apresentaram-se melhor que nós”, explicou Macome.

O “coach” acresceu: “fica um TPC (Trabalho Para Casa). Não podemos vir para estas competições da forma como  viemos e como nos preparamos. Não podemos vir desta forma para  uma competição tão séria como esta. Por isso, digo mais uma vez que não é culpa de ninguém mas sim de Milagre Macome.  Assumo total responsabilidade pelo fracasso”.

Para se qualificar ao Afrobasket, Moçambique deverá vencer ao Quénia por mais de 18 pontos, e esperar que os vice-campeões do último Afrocan não vençam Angola e Senegal na segunda janela, agendada para Fevereiro de 2021.