A presença de tropas privadas estrangeiras em Moçambique, mais precisamente na província de Cabo Delgado, em apoio às Forças de Defesa e Segurança no combate aos chamados insurgentes, tem merecido muitas críticas de observadores e investigadores.

Alguns questionam o por quê da opção de militares russos em vez da ajuda de forças dos países da região.

O académico Calton Cadeado diz que o Governo errou ao ir buscar, na Rússia, soluções para o conflito armado em Cabo Delgado, preterindo os seus “irmãos” da região, sobretudo a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Cadeado entende que esta foi uma decisão soberana de Moçambique, “mas foi um erro ir buscar soluções lá longe, é verdade que Moçambique tem o direito soberano de ir buscar onde quiser, foi buscar aos russos, apesar de que as autoridades oficiais nunca confirmaram a presença russa”, sustenta aquele investigador.

Ante o aspecto contextual histórico, regional, de vizinhança e de partilha da ameaça, “era de esperar que antes de ir lá longe, os irmãos da zona fossem os primeiros a serem consultados porque agora a interpretação política mais fácil de se fazer é dizer que Moçambique só se lembrou de nós agora que a coisa começou a arder”, acrescenta Cadeado.

Por seu turno, o director do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, diz que a utilização de militares privados estrangeiros em Cabo Delgado é uma opção inadequada para a situação, fundamentalmente porque eles são uma solução de curto prazo, mas a médio prazo, criam problemas.

“Os mercenários custam muito dinheiro ao Estado moçambicano, que numa situação de boa governação era suficiente para ser utilizado para recrutar jovens moçambicanos, motivados, com pagamentos transparentes, para que defendam a sua pátria”, sustenta aquele investigador.

Refira-se que também uma unidade da empresa privada Dick Advisory Group, com sede na África do Sul e pertencente ao coronel zimbabweano Lionel Dick, esteve a apoiar o exército moçambicano em Cabo Delgado e, segundo fontes da imprensa, continua no país a nível de consultoria e formação.