O primeiro-ministro de Moçambique, Carlos Agostinho do Rosário, apelou aos partidos para que não façam um “aproveitamento político” da violência armada em Cabo Delgado, assinalando que a ação dos grupos armados ameaça a soberania e a integridade territorial do país.
“Esta não é uma situação nem é momento de se procurar fazer qualquer tipo de aproveitamento, incluindo político”, declarou Carlos Agostinho do Rosário.

O primeiro-ministro falava no discurso de encerramento da sessão de perguntas dos deputados da Assembleia da República (AR) ao Governo.

A sessão foi marcada por acusações da oposição de que o executivo está a falhar no combate aos grupos armados que protagonizam ataques em Cabo Delgado, norte de Moçambique, e de falta de estratégia nessa matéria.

Carlos Agostinho do Rosário enfatizou que o país deve unir-se em torno de um bem supremo: a defesa da população moçambicana vítima da ação dos grupos armados.

“O nosso país tem sido vítima das ações terroristas, que têm posto em causa a nossa soberania e integridade territorial”, afirmou Rosário.

A violência está a gerar dor e luto no seio da população moçambicana, acrescentou.

Destacando que “as ações terroristas” em Cabo Delgado não são um evento isolado apenas em Moçambique, o governante assegurou que o executivo está a apostar no reforço da capacidade operativa das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e dos mecanismos de cooperação internacional, principalmente com os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Sobre a assistência humanitária às pessoas deslocadas pelo conflito em Cabo Delgado, Carlos Agostinho do Rosário garantiu que o executivo estará sempre presente para acudir às necessidades das vítimas.

“Queremos reiterar que o Governo estará sempre presente no terreno para apoiar em bens alimentares e não alimentares os nossos compatriotas afetados pelas ações terroristas e que se encontrem nos centros de acomodação, nas famílias acolhedoras e nas zonas de origem”, declarou.

Por outro lado, prosseguiu, as famílias impedidas de voltar às zonas de origem serão reassentadas em áreas seguras, de modo a que não continuem dependentes de apoio humanitário.

A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas.

Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de mil a 2.000 vítimas.

O primeiro-ministro moçambicano disse quarta-feira no parlamento que “as ações terroristas estão a criar centenas de milhares de deslocados internos, cujo número se situa, atualmente, em mais de 435 mil pessoas”.

Carlos Agostinho do Rosário avançou que mais de 10 mil pessoas que fugiram do conflito armado em Cabo Delgado chegaram à capital da província, Pemba, nos últimos dias.