Mariano Nhongo, dissidente da guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) e líder da autoproclamada Junta Militar, disse estar disponível para “negociar com o Governo” uma solução para acabar com os ataques armados do seu grupo.

Em declarações por telefone à agência de notícias Lusa, Mariano Nhongo afirmou que “a Junta Militar está disposta a negociar com o Governo, mas só se for uma negociação de verdade”. O líder da Junta Militar alerta que não está disposto a entrar em “negociações falsas”, pois alega que tentativas de negociação anteriores fracassaram devido à falta de honestidade em cumprir por parte do Governo, liderado pela FRELIMO.

No sábado passado, o presidente Filipe Nyusi, anunciou tréguas na perseguição aos membros da Junta por parte das Forças de Defesa e Segurança (FDS). Mas no dia seguinte, no domingo, Nhongo disse que dois membros do seu grupo foram sequestrados no distrito da Gorongosa, em Sofala, centro de Moçambique.

Nhongo revelou duas condições para desmantelar a Junta Militar, que é a principal suspeita da morte de cerca de 30 pessoas em ataques contra autocarros, aldeias e elementos das FDS no centro do país. Uma, é a divulgação prévia de uma petição enviada há um ano ao Governo, a outra, é afastar o presidente da RENAMO, Ossufo Momade como interlocutor ativo na comunicação com o partido. Nhongo afirma que quando essas condições foram aceites e postas em prática “não haverá mais a Junta Militar a disparar”.

O fundador da autoproclamada Junta Militar da RENAMO disse que ainda não recebeu uma comunicação oficial da trégua, mas manifestou-se disponível para criar um corredor de diálogo com o Governo se este tiver uma intenção genuína de pacificação do país.

A Junta Militar é um movimento de ex-guerrilheiros dissidentes do principal partido da oposição de Moçambique que contesta o líder eleito no congresso de 2019, Ossufo Momade, e as condições de desmilitarização, desarmamento e reintegração por ele negociadas com o Governo liderado por Nyusi.

O grupo surgiu em junho de 2019 e ameaçou pegar nas armas caso não fosse ouvido nas reivindicações de destituição da liderança da RENAMO e quanto a uma renegociação do acordo de paz que Momade assinou em agosto do último ano com o Presidente da República de Moçambique.