O Centro de Integridade Pública (CIP) alerta que o conflito armado em Cabo Delgado provocou já a pior crise humanitária na história de Moçambique e avisa que a mesma tende a agravar-se sobretudo na cidade de Pemba, que já não tem espaço para acolher mais deslocados de guerra.

Borges Nhamire, investigador do CIP, que está a fazer uma análise sobre a situação da violência armada no norte do país, sublinha que é “a pior crise humanitária da história de Moçambique causada por actividades humanas, depois da guerra civil e que o número de deslocados internos aumentou em aproximadamente dois mil por cento, num período de dois anos”.

Por seu turno, o director do CIP, Edson Cortez, que esteve recentemente em Pemba, referiu que vários deslocados de guerra chegaram diariamente à capital provincial de Cabo Delgado e precisam de ajuda.

Cortez defende ser necessário que os deslocados “recebam apoio o mais urgente possível” para evitar situações catastróficas.

Entretanto, a cidade de Pemba já não tem capacidade para acolher mais deslocados, muitos dos quais, segundo o Secretário de Estado em Cabo Delgado, Armindo Ngunga, chegam doentes e bastante debilitados.

O governante disse que três mulheres deram parto durante a viagem a Pemba em barcos à vela.

Cerca de 1400 pessoas chegaram à cidade de Pemba nos últimos quatro dias, provenientes dos distritos de Mocímboa da Praia, Quissanga e Macomia, afectados por ataques terroristas.

“As vítimas dos ataques terroristas precisam, urgentemente, de assistência, dada a gravidade da situação em que se encontram”, defende Jorge Matine, director executivo do Observatório Cidadão para a Saúde.

Nesta quarta-feira, 21, a União Europeia garantiu estar a “acompanhar de forma próxima” a situação em Cabo Delgado.

Na conferência de imprensa diária em Bruxelas, Nabila Massrali, recordou que “o Governo de Moçambique e a UE encetaram uma política de diálogo focada nas questões humanitárias e de segurança” e que nos próximos tempos serão tomadas decisões importantes.