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Adriano Nuvunga alvo de ameaça de bomba

Adriano Nuvunga, presidente da organização Centro para a Democracia e Desenvolvimento, recebeu no passado sábado uma ameaça de bomba. O ativista considera que o que faz afeta “quem tem poder”.

O ativista moçambicano Adriano Nuvunga, presidente da organização Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), recebeu uma ameaça de bomba em sua casa no sábado, um caso que a Amnistia Internacional pediu que seja investigado.

“Telefonaram para mim e eu atendi a chamada, eram 19:44 [menos uma de Lisboa]. A pessoa, sem se identificar, disse que tinha implantado uma bomba em minha casa e que ia explodir em poucas horas. Eu estava com os meus filhos e ficaram assustados. Saímos de casa e chamámos as autoridades”, disse esta quinta-feira à comunicação social Adriano Nuvunga, à margem de um evento público em Maputo.

Segundo Adriano Nuvunga, a polícia moçambicana esteve na sua residência na mesma noite e constatou que não havia uma bomba, tendo afirmado que se tratou de uma ameaça.

“É uma ameaça como tantas outras que já recebi no passado”, acrescentou o ativista.

Nuvunga afirmou que a ameaça não o desencoraja, garantindo que continuará a “defender os direitos humanos e a contribuir no combate contra à corrupção e promoção da transparência” no país.

“[As ameaças] ajudam-nos a compreender que provavelmente estamos a fazer algo que está a afetar as pessoas que têm poder”, declarou.

Numa nota divulgada na página de internet da organização, o diretor da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Deprose Muchena, pediu uma investigação sobre o caso, considerando que as ameaças visam amedrontar o ativista.

“As ameaças não devem ser tomadas levianamente. As autoridades moçambicanas devem lançar uma investigação rápida, independente e imparcial sobre esta intimidação e garantir que aqueles que estão por trás deste ato sejam levados à justiça em julgamentos justos”, declarou Deprose Muchena.

Adriano Nuvunga, uma das vozes mais sonantes na sociedade civil moçambicana, é diretor da organização não-governamental Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) e já dirigiu também o Centro de Integridade Pública (CIP), além de ser professor de Ciências Políticas na Universidade Eduardo Mondlane, a mais antiga instituição de ensino superior em Moçambique.

Em Setembro, o CDD apresentou um relatório em que conclui que o Estado moçambicano tem “fracassado” na proteção dos direitos humanos e promoção de instituições democráticas.