A Renamo considerou ontem (07) contrária ao “pluralismo político” a apresentação pública de 160 membros do principal partido da oposição em Moçambique a declararem a sua filiação à Frelimo, partido no poder.

Os 160 militantes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) foram apresentados numa cerimónia pública no fim de semana no posto administrativo de Dombe, província de Manica, centro de Moçambique.

O ato foi dirigido pelo primeiro secretário do Comité Provincial da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Tomás Chithlango.

Em declarações à Lusa, o porta-voz da Renamo, José Manteigas, considerou a ação contrária ao pluralismo político, acusando o partido no poder de implementar uma estratégia de fragilização da oposição.

“É contraproducente esse tipo de ação, porque é uma forma de matar o pluralismo político, através da fragilização da oposição”, disse José Manteigas.

O porta-voz do principal partido da oposição classificou como estranha a desfiliação de militantes do partido e sua militância no partido no poder, numa altura em que Renamo e Governo da Frelimo estão envolvidos na implementação do Acordo de Paz e Reconciliação Pública.

“Não deixa de ser estranho observar esse tipo de acontecimentos, quando a prioridade deve ser a paz e reconciliação nacional”, destacou José Manteigas.

A apresentação pública de militantes de partidos a declararem a adesão a formações políticas adversárias é normal em períodos de campanha eleitoral em Moçambique, mas não é comum fora dos processos eleitorais.

O porta-voz da Renamo adiantou que, oficialmente, os referidos membros que deixaram o partido não comunicaram a sua decisão à organização.

O líder da Renamo, Ossufo Momade, e o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, assinaram em 06 de agosto de 2019 o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, prevendo o desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) do braço armado do principal partido da oposição.

Depois de um arranque simbólico no ano passado, o DDR esteve paralisado durante vários meses, tendo sido retomado a 04 de junho e vai envolver 5.000 membros do braço armado da Renamo.

Desde então já foram abrangidos 38 ex-guerrilheiros em Savane, 251 ex-guerrilheiros em Chibabava e outros 303 em Dondo, na província de Sofala, centro do país.