Sociedade Analistas exigem transparência do Governo nos negócios de gás de Cabo Delgado

Analistas exigem transparência do Governo nos negócios de gás de Cabo Delgado

Analistas defendem maior transparência nas negociações entre o Governo de Moçambique e a petrolífera francesa TOTAL, que, semana passada, anunciou ter completado o financiamento de mais de 16 mil milhões de dólares para o desenvolvimento do projecto de gás natural em Cabo Delgado.

“Com este financiamento, o projecto de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma tem pernas para andar”, considera Borges Nhamire, pesquisador do Centro de Integridade Pública (CIP).

Nhamire diz que este projecto e outros ligados à exploração de recursos naturais “são muito importantes para o desenvolvimento do país, e a sua negociação e implementação devem ser feitas com transparência”.

Ele diz que “os recursos são de todos os moçambicanos nos termos constitucionais, e todos os moçambicanos, através dos mecanismos representantivos existentes, devem ter a oportunidade de discutir esta questão”.

“Há muitos aspectos que devem ser conhecidos nessas negociações, entre os quais os termos de referência do Governo, para que possamos discutir a sustentabilidade do ponto de vista dos preços de comercialização do gás e das outras opções que seriam possíveis usar, como, por exemplo, a produção de fertilizantes para agricultura”, realça Borges Nhamire.

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Transparência

A Total diz que o projecto tem o potencial de mudar a economia moçambicana, oferecendo pelo menos 50 mil milhões de dólares ao Governo durante os 25 anos de vigência do contrato de exploração do gás.

Contudo, a economista Inocência Mapisse levanta também a questão da transparência, porque em Moçambique não existe um mecanismo de gestão de receitas provenientes do sector extractivo, que noutros países tem sido o fundo soberano.

“Este seria o primeiro debate que deveríamos trazer no que diz respeito à gestão dessas receitas”, afirma Mapisse.

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