Construir consensos em matérias que dizem respeito à paz e ao reforço da democracia em Moçambique vai ser um dos principais desafios dos 250 deputados investidos na segunda-feira, 13.

A opinião é de analistas que também defendem que o Parlamento deve contribuir para a conclusão do processo de desarmamento dos guerrilheiros da Renamo e para o combate à insurgência armada em Cabo Delgado.

As regiões centro e norte de Moçambique estão a registar situações de insegurança resultantes de ataques armados, cuja solução, na opinião de alguns analistas, deve merecer particular atenção dos deputados.

“Eu penso que neste momento, não pode haver outra prioridade para os debutados que não seja a paz”, disse Luísa Diogo, economista e presidente do Conselho de Administração do Banco Absa, para quem sem a paz, Moçambique “não pode desenvolver-se”.

Por seu turno, Dércio Alfazema, do Instituto para a Democracia Multipartidária, acredita que assuntos que têm a ver com a pacificação do país vão ser prioritários e espera que a Frelimo “não use a maioria que tem no Parlamento para asfixiar a qualidade dos deputados sobre esta matéria”.

Manuel Rodrigues diz que a paz é uma questão fundamental e sublinha que ataques armados são frequentes na província central de Manica, “e isto afecta a economia. Há aqui um grande desafio”.

Esta é a opinião também de Tomé Francisco, funcionário bancário, para quem, além da paz, o Parlamento vai ter que legislar também para que o país tenha serviços sociais de qualidade, boa governação e uma gestão transparente no domínio da exploração de recursos naturais.

“Vai ser necessária uma grande criatividade da parte da Assembleia da República para lidar com assuntos que dizem respeito à paz”, defende o jurista Filimão Swázi.

Entretanto, Esperança Bias, eleita Presidente da Assembleia da República, com 179 dos 189 votos, validamente expressos, diz que o Parlamento “vai trabalhar no sentido legislar e trabalhar com os órgãos de soberania, sociedade civil e confissões religiosas, em prol do desenvolvimento do nosso país,” o que pressupõe que haja paz.

VOA