O antigo Presidente moçambicano Armando Guebuza esteve por dentro de todas as negociações em torno do reescalonamento das dívidas contraídas pelo seu Governo junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), já no consulado de Filipe Nyusi.

O seu informante era o empresário libanês Jean Boustani, o pivot do caso “dívidas ocultas”, de acordo com revelações feitas no Tribunal de Brooklin, em Nova Iorque, no julgamento de Boustani.

A informação foi avançada por uma agente especial do FBI, a polícia de investigação americana, chamada Fatima Haque.

“A testemunha apresentou, dentre vários documentos, mensagens de texto trocadas entre o antigo Chefe do Estado e o executivo da Privinvest, que é considerado o cérebro das dívidas ocultas e está a ser julgado pelo Governo americano”, revela o Centro de Integridade Pública (CIP), de Moçambique, que está a acompanhar o processo.

A mesma fonte adianta que “as mensagens foram trocadas entre Março e Abril de 2016, período importante na história das dívidas ocultas”, quando o Governo de Filipe Nyusi reestruturou a dívida da EMATUM, transformado em garantia do Estado emitida para avalizar os títulos da dívida contraída pela EMATUM em dívida soberana.

Jean Boustani mantinha Armando Guebuza, a quem chamava de “Papá”, informado sobre o que estava a acontecer tanto em relação à negociação da reestruturação da dívida da EMATUM como em relação à negociação do Governo com o FMI após a descoberta das dívidas ocultas da MAM e ProIndicus e Ministério do Interior, num total 1.4 mil milhão de dólares, de acordo com o CIP.

VOA