Em Declarações aos jornalistas na Zambézia, no domingo (13), Abdul Carimo, presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) em Moçambique, disse que a decisão de não haver eleições em alguns postos de votação foi tomada em plenária, por causa do conflito armado desencadeado por um grupo de insurgentes naquela região do país.

“Em função da plenária que nós realizamos, recebemos declarações de três distritos de Cabo Delgado que revelavam a impossibilidade de realizar se eleições nas mesas de alguns postos administrativos. Em função daquilo que a legislação eleitoral nos ensina, infelizmente não podemos abrir essas mesas de voto. Estamos a falar de dez mesas em três distritos da província de Cabo Delgado,” revelou.

Abdul Carimo deu detalhes sobre os locais onde não haverá votação.

“Uma mesa no distrito de Medumbe, seis no distrito de Macomia e três no distrito de Mocímboa da Praia. As populações que se encontravam nesses locais dispersaram-se sem a sua documentação, o que impossibilita votarem sem essas documentações. Por mais que nós alterássemos o local de votação, infelizmente, as pessoas deslocaram-se para vários sítios e não há possibilidade de junta-las nesse dia. Infelizmente, não há possibilidade de abrir essas mesas no dia 15 de Outubro,″ concluiu.

No total, serão 5.400 eleitores afectados ou que não poderão  exercer o seu direito de voto pela falta de documentação. Muitas famílias perderam as suas casas, que foram incendiadas pelos insurgentes.

“Tolerância zero”

Também o comando da Polícia da Republica de Moçambique na Cidade de Quelimane chamou a imprensa, este domingo, para declarar tolerância zero para quem quiser exaltar-se no dia do pleito e a quem permanecer próximo dos postos de votação.

António Paulo, director da Ordem e Segurança Pública na Zambézia, deixou uma alerta.

“Depois de votar, imediatamente o cidadão deve abandonar o posto de votação. A policia não irá tolerar a permanência de pessoas que já exerceram o seu direito de voto perto das assembleias de voto, além dos trabalhadores do processo,″ afirmou.

Na Zambézia, tem sido comum as pessoas voltarem aos postos onde exerceram o direito de voto principalmente no período da tarde.

António Paulo garante, entretanto, que ″qualquer tentativa, a Polícia vai agir”.

“Apelamos para que toda a população aja de acordo com a lei. Quem irá desacatar, irá arcar com as consequências,” alertou, acrescentando que “os que enganam as pessoas para permanecerem nos postos não arcam com as consequências. Isso tem consequências graves para a vida pessoas”.

“Quem resistir a isso, não teremos como senão cumprir a lei. Estamos a alertar a população que evite estar próxima dos postos de votação porque não vamos tolerar,” concluiu.

DW