Todos os dias costumam chegar ao mercado grossista do Zimpeto, em Maputo, vários produtos vindos da África do Sul, como tomate, batata, cebola e pepino.

No entanto, há mais de duas semanas que o camião da vendedora Emília Nhantumbo não entra no país vizinho devido aos ataques xenófobos.

“Dificilmente viajamos, por causa da xenofobia. Temos medo. Primeiro, são bandidos e agora, com estes ataques de carros, realmente é difícil viajar”, explica.

A situação na África do Sul está a levar alguns vendedores do mercado a aumentar os preços: “Tudo ficou parado devido ao medo que os motoristas e os próprios clientes têm de entrar na África do Sul. Agravámos os preços por medo, porque não sabemos quando é que vamos adquirir de novo a mercadoria”, revela António Jemusse, outro comerciante do Zimpeto.

Para os importadores, não há outra alternativa senão trazer os produtos da África do Sul, explica Sudekar Novela, o presidente da Associação dos Importadores Informais, vulgo “Mukheristas”: “Nós ainda dependemos muito da África do Sul. A nossa economia ainda está em baixo comparativamente com a da África do Sul. Ainda temos muito desemprego em Moçambique”.

Medo de viajar

No maior terminal rodoviário internacional de Moçambique, a Junta, os motoristas de transporte de passageiros e de carga estão com receio de viajar para a África do Sul. Jaime Ossufo é motorista há mais de dez anos e conta que já assistiu a episódios tristes. Nunca parou de trabalhar – até agora: “Parámos por causa dessa situação de manifestações, porque eles não querem nenhum estrangeiro. É o que está a acontecer agora”.

Os transportadores estão a somar prejuízos devido à paralisação dos seus trabalhos, diz o motorista Aurélio Joaquim. “Há um ato xenófobo contra estrangeiros e nós acabamos prejudicados nessa situação”, conclui.

Segundo Castigo Nhamate, do sector dos transportes na Confederação das Associações Económicas (CTA), 300 camiões que transportam ferrocromo deixaram de circular na sequência dos ataques xenófobos na África do Sul. Isso equivale a perdas diárias de um milhão e trezentos mil dólares. “E se incluirmos o transporte de passageiros, as perdas podem atingir uma média diária de três milhões de dólares”, afirma.

DW