O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) apresentou, membros que tinham abandonado o partido, a favor da Renamo. É o caso do antigo chefe da bancada na Assembleia municipal de Maputo, Ismael Nhacucué.

Foram experimentar outros ares políticos, mas não conseguiram respirar. O Movimento Democrático de Moçambique fala de perto de 40 membros, que depois de desertarem, estão de volta. Trata-se da comitiva que seguiu Venâncio Mondlane, do galo à perdiz. Entre as principais figuras, constam Ismael Nhacucué, o antigo chefe da bancada do MDM na Assembleia Municipal de Maputo e Rui Munona, outro membro considerado “activo” no seio do partido, nos tempos idos.

Os dois membros, agora de volta ao MDM, teriam sido apresentados junto de Venâncio Mondlane, no dia 29 de Junho de 2018, como os novos rostos que passavam a integrar a Renamo. “Não temos outra alternativa, senão juntarmo-nos à Renamo, que é de facto, neste momento, o único partido da oposição com capacidade real de ganhar as eleições e governar Moçambique”, disse Nhacucué no dia da sua apresentação pública, trajado de camiseta da perdiz.

No entanto, em menos de dois anos, é vista a metamorfose destes membros “de volta à casa”. Tal como teriam sido publicamente apresentados como os novos membros da Renamo, pela mesma moeda o MDM devolveu, os apresentou igualmente, em hasta pública.

Como que a cumprir a parábola do filho pródigo, em jeito de quem está arrependido, os membros estiveram esta terça-feira junto de quadros do partido, na cidade de Maputo, confessando o regresso. “A nossa saída do MDM para a Renamo, tinha como epicentro, a candidatura de Venâncio Mondlane para a Assembleia Municipal de Maputo. Portanto, nós acreditamos no projecto de Mondlane e que era possível ganhar as eleições” confessou ao “O País” Ismael Nhacucué.

Por outro lado, Nhacucué mostrou-se desiludido pelo que encontrara na Renamo, alegadamente “completa desorganização e falta de estrutura política” que caracteriza o partido.

Sérgio Dick, outro membro que desertara, afirmou “ter sido enganado, por isso decidiu voltar à casa”.

Enganados, ou iludidos, a verdade é que os dois membros e comitiva voltaram ao MDM, numa espécie de ping-pong, que ainda que não encontre enquadramento lógico, tem caracterizado a política no país.

As alegações da falta de democratização no seio do partido e projectos concretos para governar, bem como o apoderamento do poder de forma absoluta da família Simango, que apresentaram a quando do abandono do MDM, ficam para já enterradas. O que lhes resta é mesmo, a sorte que o futuro poderá ditar.

O País