O antigo presidente moçambicano Joaquim Chissano considera que o governo deve “analisar profundamente” a ameaça à paz colocada pela crise na Renamo, principal partido da oposição, considerando que a solução passa por uma dissuasão pacífica”.

“Se estivesse no poder, era [de] analisar profundamente a situação” que se vive na Renamo, afirmou Joaquim Chissano, em declarações ao canal público Televisão de Moçambique (TVM).

Chissano assinalou que deve ser avaliado o perigo que as divergências na Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) representam para o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado no passado dia 06 deste mês.

“A situação da Renamo deve ser analisada, para ver se há um perigo verdadeiro à paz e o caminho tem de ser através de uma dissuasão pacífica”, acrescentou.

O antigo chefe de Estado moçambicano referiu que a contestação de uma facção da guerrilha da Renamo à liderança do partido pode ter como causa expectativas elevadas quanto aos ganhos materiais após a Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

“Deve haver pessoas que ficam descontentes, porque querem ter mais do que merecem ou mais do que têm direito”, salientou Joaquim Chissano.

Na segunda-feira, uma autoproclamada junta militar da Renamo elegeu Mariano Nhongo presidente do partido, à revelia da estrutura oficial da principal força da oposição moçambicana, que tem Ossufo Momade como líder.

Mariano Nhongo, tenente-general no braço armado da Renamo, é o fundador da autoproclamada junta militar e era candidato único, tendo sido eleito no último dia do conselho nacional extraordinário do grupo.

O grupo, que se descreve como uma estrutura militar da Renamo “entrincheirada nas matas” com 11 unidades militares provinciais, considera que o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado entre o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e Ossufo Momade, é nulo, na medida em que, segundo o grupo, Ossufo Mamade não representa a ala militar do partido.

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