O Ministério Público de Moçambique remeteu três processos-crime para o Tribunal Judicial, com um total de 36 arguidos que integram, alegadamente, um grupo armado responsável pelos ataques no norte do país há cerca de dois anos.

Segundo o jornal moçambicano O País, os processos foram iniciados pela Procuradoria de Cabo Delgado, norte de Moçambique, e entre os 36 arguidos constam cidadãos moçambicanos e estrangeiros, incluindo de países como Tanzânia e Burundi.

De acordo com a mesma fonte, os arguidos, com idades entre os 17 e os 69 anos, são acusados de dez crimes, incluindo “homicídio qualificado, crimes hediondos, sequestro e contra a organização do Estado”.

Na lista dos acusados estão ainda três mulheres moçambicanas, com idades entre os 18 e os 27 anos.

A província de Cabo Delgado, palco de uma intensa actividade de multinacionais petrolíferas que se preparam para extrair gás natural, tem sido alvo de ataques de homens armados desde Outubro de 2017, que causaram já a morte de cerca de 200 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

O Governo moçambicano tem apresentado versões contraditórias sobre a violência na região, tendo apontado motivações religiosas associadas ao islamismo em vários momentos e, mais recentemente, a garimpeiros.

Recentemente, um suposto ramo do Estado Islâmico reivindicou ter matado vários militares moçambicanos em Cabo Delgado durante um confronto, mas essa acção nunca foi confirmada pelas autoridades.

Observador