O Presidente da República terminou ontem (23) uma visita oficial de três dias ao Egipto a convite do seu homólogo Abdel Fatah El-Sisi.

Os dois Chefes de Estado reuniram-se na manhã de Sábado (22) por mais de uma hora e meia a sós e depois com as respectivas delegações. No final os dois Governos rubricaram três acordos de cooperação nas áreas de agricultura, consultas políticas e isenção de vistos para passaportes diplomáticos, de serviço e especiais.

Houve ainda conversações a nível ministerial nas áreas de Saúde, Cultura e Turismo. Na Saúde o acordo de cooperação deverá ser assinado posteriormente mas já decidiu-se por avançar no envio de doentes moçambicanos que precisam de realizar transplante de órgãos humanos, enquanto não for aprovada a lei sobre a matéria já depositada na Assembleia da República e em fase de auscultação pública. Moçambique deverá ainda enviar crianças que tenham determinados tipos de cancro para tratamento no Egipto, mas também de adultos, segundo assegurou a Ministra da Saúde, Nazira Abdula.

Após os encontros realizados no palácio presidencial do Egipto os dois Chefes de Estado falaram à imprensa tendo destacado a discussão sobre assuntos relacionados com a Defesa e Segurança. O Presidente da República diz ter explicado ao seu homólogo sobre a situação dos ataques em Cabo Delgado perpetrados por insurgentes até aqui sem rosto. E por seu lado, Abdel Fatah El-Sisi disse que o seu país está disponível para ajudar Moçambique a combater qualquer tipo de violência, até porque o Egipto tem larga experiência em prevenir e combater ataques terroristas protagonizados por movimentos extremistas, dai que quer trocar informações constantes com Moçambique nesse domínio, para se evitar o desenvolvimento de grupos radicais.

Filipe Nyusi disse já na conferência de imprensa de balanço da visita que os dois países têm já há vários anos acordo de cooperação no domínio de Defesa e Segurança através de formação de instrutores na Academia de Ciências Policiais e que agora o esforço é reactivar esse acordo e uma vez que tal acontece numa altura que o país enfrenta ataques de insurgentes em Cabo Delgado, deu-se tónica a esse assunto, mas que o objectivo é mesmo no âmbito geral das matérias relacionadas com a Defesa e Segurança e não apenas terrorismo em particular.

O Chefe de Estado moçambicano disse que há 10 anos que as relações diplomáticas e de cooperação com aquele país estavam praticamente hibernadas e o objectivo dos dois países é catapultá-las, por isso, no próximo ano vai se realizar a reunião da Comissão Mista que terá como objectivo avaliar o grau de implementação das decisões tomadas na “cimeira” de Cairo e explorar novas áreas de cooperação entre os dois Estados. Nyusi lembrou ainda que a última reunião do género tinha acontecido em 2010.

Para além do domínio político e diplomático, os dois países pretendem ainda relançar as relações económicas que estão muito abaixo do seu real potencial. Nos últimos anos o comércio entre Moçambique e Egipto foi de menos de cinco milhões de dólares quando pode se vender muito mais e até realizar-se investimentos significativos em ambos lados. Até porque o Egipto tem uma larga experiência na exploração do petróleo e gás natural, é uma grande potência no turismo e agricultura, serve de porta de entrada para os países da região através de uma extensa rede ferro-portuária e rodoviária, todas essas são características económicas similares a Moçambique dai que não há como os dois países não tirarem vantagens económicas nas suas relações.

O País