Semanas após o início do surto da doença na região, uma quantidade de doses da vacina contra a cólera chegou na tarde ontem (12) à cidade de Pemba, província de Cabo Delgado.

São vacinas que se destinam às populações dos distritos de Metuge, Mecúfi e Pemba, os dois últimos com registo de mais de 150 casos cumulativos da doença, como consequência da passagem do ciclone Kenneth na região.

Até o momento, as autoridades afirmam não se ter registado nenhum óbito em consequência do surto de cólera.

A vacinação terá início no próximo dia 16, irá durar cinco dias e abranger 285 mil habitantes dos três distritos.

A campanha de vacinação contra a cólera observará uma abordagem mista, o que quer dizer que para a cidade de Pemba e o distrito de Mecúfi irão funcionar pontos fixos e brigadas móveis. E para o distrito de Metuge, onde apenas duas localidades beneficiarão da vacina, o processo será porta-a-porta.

Entretanto, a prontidão para responder a uma eventual eclosão da cólera, ocorre em todos os distritos, conforme disse há dias Ussene Isse, director nacional da Assistência Médica no Ministério da Saúde (MISAU).

No restante dos distritos não abrangidos pela campanha de vacinação, para além de mensagens educativas sobre a necessidade de redobrar as medidas de higiene e saneamento do meio, feitas através de brigadas móveis, está igualmente em curso a distribuição de purificadores de água.

Uso oral

A vacina a ser administrada em Cabo Delgado, já foi utilizada em Sofala, onde mostrou eficácia para fazer face à eclosão da cólera registada logo após o ciclone tropical Idai fustigar também as províncias da Zambézia, Manica e Tete.

Eduardo Samo Gudo, director-geral adjunto do Instituto Nacional da Saúde no MISAU, explica como será ministrada.

“É uma vacina de toma oral em duas doses. Significa que cada indivíduo destes locais que serão beneficiados irá receber duas doses – a primeira será administrada no dia 16, que é o dia do lançamento, e a segunda será administrada num espaço de três meses,” disse.

A vacina contra a cólera a ser administrada a partir desta semana, tem a capacidade de proteger as populações durante cinco anos e os indivíduos vacinados servirão de escudo que bloqueia o ciclo de transmissão da bactéria que provoca a cólera, conforme pontuou Samo Gudo.

“Esta vacina induz uma imunidade gastrointestinal sete dias após à sua ingestão. Os indivíduos vacinados não só não adquirem a infecção, eles também não transmitem e, mais do que isso, esta vacina elimina aquilo que chamamos de portadores assintomáticos – que são um problema à saúde pública porque mantêm a bactéria em circulação,” acrescentou.

DW