O príncipe e vice-ministro de Defesa da Arábia Saudita, Khaled bin Salman, acusou o Irã de estar por trás do ataque com drones realizado por rebeldes iemenitas contra as estações de bombeamento de um oleoduto na região de Riad, na Arábia Saudita.

“O ataque dos rebeldes houthis contra as estações de bombeamento da Aramco provam que os rebeldes são um simples instrumento utilizado pelo regime do Irã para aplicar sua agenda expansionista na região”, disse Jaled em sua conta do Twitter.

Outras autoridades sauditas dispararam tuítes semelhantes, aumentando a pressão sobre Teerã em meio à tensão crescente com Washington em função das sanções e da presença militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.

“Os houthis são uma parte integral das forças da Guarda Revolucionária do Irã e obedecem às suas ordens, como provaram visando instalações no reino”, tuitou o ministro para as Relações Exteriores, Adel al-Jubeir.

Os comentários sauditas seguem a escalada das tensões no Oriente Médio, aumentando as preocupações de que os Estados Unidos e o Irã estejam caminhando para um conflito, embora o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, tenha buscado reduzir as preocupações.

“Não haverá guerra. A nação iraniana escolheu o caminho da resistência”, disse Khamenei. Nós não buscamos uma guerra, e eles também não. Eles sabem que isso não é dos interesses deles.

Na quarta-feira, os EUA solicitaram a retirada dos funcionários não essenciais de sua embaixada em Bagdá, devido a preocupações com ameaças iranianas. Os americanos acreditam ainda que milícias xiitas apoiadas por Teerã estejam por trás dos ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico. Até o momento, ninguém assumiu responsabilidade pelas acções.

Donald Trump ordenou ainda o envio de um porta-aviões, bombardeiros B-52 e mísseis para a região, uma resposta ao que a Casa Branca considera um agravamento dos riscos aos soldados e interesses americanos na região.

Mísseis em barcos

Segundo o New York Times, o endurecimento da postura de Trump se deve a fotografias obtidas pela Inteligência americana, que mostram mísseis montados em pequenos barcos no Golfo Pérsico. De acordo com o jornal nova-iorquino, o armamento teria sido colocado nas embarcações por forças paramilitares locais.

O temor em Washington é que os mísseis sejam utilizados pela Guarda Revolucionária do Irã contra navios americanos. Outras informações obtidas pelos americanos apontam para riscos de ataques de grupos rebeldes apoiados pelo Irã contra tropas americanas e navios comerciais na região.

Em reunião com Taro Kono, ministro das Relações Exteriores do Japão, o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, afirmou que seu país está comprometido com as obrigações referentes ao acordo nuclear, apesar da saída americana do tratado, e classificou a renovação das sanções americanas como ‘inaceitável’.

O Irã está exercendo “cautela máxima, apesar de os Estados Unidos terem saído do Plano de Acção Conjunto Global em maio do ano passado”, disse Zarif, no início do encontro, em Tóquio. O chanceler referia-se ao plano assinado em 2015 por EUA, Irã e outras potências, no qual Teerã concordou em restringir suas capacidades de enriquecimento de urânio, em troca do aliviamento das sanções.

O Globo