Alguns sectores da sociedade moçambicana começam a questionar a longa permanência, nas matas da Gorongosa, do presidente da Renamo, Ossufo Momade, considerando que ele já devia estar a fazer o seu trabalho político em todo o país, em preparação das eleições de Outubro próximo.

A última vez que Ossufo Momade foi visto em público, num centro urbano, foi nos princípios deste ano, quando se deslocou à Maputo, para encontros com o presidente da República, Filipe Nyusi.

Algumas vozes afirmam que Ossufo Momade não tem o carisma que tinha Afonso Dhlakama, pelo que devia sair das matas para projectar a sua imagem perante o eleitorado, sobretudo nas zonas onde a Renamo não tem muita influência, tendo em vista as próximas eleições presidenciais.

Ossufo Momade é o candidato da Renamo às eleições presidenciais de 15 de Outubro deste ano.

O analista Moisés Mabunda diz ser compreensível que depois da morte de Afonso Dhlakama Momade permanecesse na Gorongosa durante algum tempo, mas por estas alturas já devia estar nos melhores palcos do confronto democrático, que é onde está a comunicação social, os académicos e a sociedade civil para debater ideias.

Oportunidade desperdiçada

Por seu turno, Yaqub Sibindy diz que Ossufo Momade está a liderar um partido que arrasta multidões em manifestações políticas, mas está a desperdiçar a oportunidade de levar esse partido ao poder, por continuar nas matas.

Não há uma posição oficial da direcção da Renamo sobre esta matéria, mas em alguns sectores do partido afirma-se que Ossufo Momade “vai permanecer nas matas até que seja resolvida a questão da desmilitarização da Renamo, e isso passa, fundamentalmente, pela integração dos antigos guerrilheiros nas forças de defesa e segurança”.

Falando na condição de não ser identificado, um quadro sénior da Renamo afirmou que mesmo os militares que tinham sido integrados nas Forças Armadas, já foram mandados para casa e só voltam aos comandos no dia do vencimento.

“Não sabem nada dos comandos, mas os comandantes devem participar nos conselhos dos comandos”, disse.

VOA