Os três suspeitos estão detidos, desde a semana passada, no posto policial de Zembe, província de Manica, e são acusados de desviar produtos alimentares, entre os quais, milho, feijão, ervilhas e óleo de cozinha.

Na altura da apreensão, os produtos, que eram donativos para as vítimas do ciclone Idai, estavam a ser transportados para venda no maior mercado da cidade de Chimoio, explicou à DW o porta-voz do comando provincial da polícia em Manica, Mateus Mindú, que adiantou que: “Já foram lavradas as respectivas peças de expediente, que serão encaminhadas às entidades competentes para posteriores seguimentos legais”.

“Infelizmente, ainda existem pessoas que se aproveitam da desgraça dos outros, para que possam enriquecer. E nós, como autoridade policial, continuamos implacáveis contra todos esses que dependem do crime para a sua sobrevivência”, acrescentou o porta-voz da polícia.

Denúncia do administrador local

A camioneta onde seguiam estes donativos foi parada pela polícia na sexta-feira passada, depois de uma denúncia do administrador local. A suspeita é que um grupo de pessoas não identificadas tenha desviado uma parte dos produtos alimentares doados, para os vender em Chimoio, segundo as autoridades. Essas pessoas teriam então pago a um motorista para transportar os produtos. Mas o motorista Elicha B., que foi detido pela polícia com o seu ajudante, garante que não fez nada de mal.

“Encostei a minha viatura, carreguei aqueles sacos e, então, entre a agitação das pessoas que estavam a dizer que os de Chimoio não podiam receber, chegou um agente da polícia e arrancou-me a chave do carro. Entretanto, puxaram o carro para aqui para o posto. […] Não sei qual é o motivo que me leva às celas, não sei se é por causa do carregamento ou não”, contou.

Também detido no posto policial de Zembe está Manuel S., um funcionário de uma organização humanitária, e que é igualmente suspeito de envolvimento no alegado desvio de alimentos, por estar a supervisionar a distribuição de donativos na zona. Mas, em entrevista à DW, nega as acusações.

“Eu sou o líder destacado para a distribuição [dos produtos] nesta área de Zembe-centro. Quando cheguei ao escritório, encontrei o senhor comandante [da polícia]. Estava lá com a minha directora a dizer que havia uma informação que precisava esclarecer em Zembe. E explicou-nos que tinha sido apanhada uma viatura com um motorista a transportar a mercadoria e que a viatura tinha sido retida, uma vez que o produto era roubado. Eles pensam que eu tive contacto com o motorista”, disse.

A camioneta com os produtos está retida na polícia. O caso vai agora para as mãos da Justiça.

DW