As autoridades moçambicanas asseguraram na segunda-feira (22), que os mecanismos de troca de informação fluvial com o Zimbabwe “continuam fiáveis” e que não há informação de abertura de comportas de barragem por Harare, que, segundo se chegou a dizer, estariam na origem das inundações que fustigaram o centro do país, após a passagem do ciclone Idai.

Moçambique e Zimbabwe partilham, na região centro, as bacias do Save, Búzi e Pungue, os últimos dois provocaram destruições severas nos distritos de Búzi (Sofala) e Sussundenga e Mossurize (Manica), devido ao transborde dos seus caudais, arrastando pessoas, casas, pontes e culturas agrícolas, além de ter inundado aldeias inteiras.

“O Zimbabwe também foi surpreendido (pela devastação)”, disse Cacilda Machava, directora geral da Administração Regional de Águas do Centro (Ara-centro), afiançando que os dois países estão agora a preparar a assinatura do acordo de partilha das águas do Búzi.

A responsável disse que no Zimbabwe, o ciclone Idai provocou uma precipitação recorde de 600 milímetros em 24 horas – quase o equivalente a toda estação chuvosa do ano – a 15 de Março, e que a falha nas comunicações não permitiu que aquele país enviasse uma informação de emergência (via whatsapp), sobre a ocorrência, para Moçambique.

“O Zimbabwe também sofreu, o que nos sofremos aqui com o ciclone Idai. O nosso sistema de comunicação ficou afectado, e também do Zimbabwe, ou seja, por mais que Zimbabwe, tivesse condições de nos informar era difícil comunicar aquilo que estava a acontecer lá”, frisou Cacilda Machava, referindo-se ao apagão, na rede de comunicações e eléctrica, logo depois da entrada do ciclone ao continente.

Moçambique, disse, ainda não conseguiu quantificar a chuva que caiu na zona transfronteiriça de Chimanimani – a zona montanhosa mais castigada do lado do Zimbabwe – devido à destruição da estação de medição pluvial.

Cacilda Machava reconheceu, contudo, que o ciclone Idai foi um fenómeno novo, com níveis de precipitação nunca antes vistos nos últimos 20 anos.

A Ara-centro, continuou, tem agora o desafio de repor várias estações destruídas e arrastadas pelas águas.

O ciclone Idai atingiu Moçambique, Malawi e Zimbabwe em meados de Março.

Só em Moçambique, a catástrofe provocou mais de 600 mortos e mais de 1600 feridos, tendo afectado um total de 1,5 milhões de pessoas, de acordo com o último balanço.

A FAO estima que o ciclone já tenha causado a perda de cerca de 750 mil hectares de colheitas na região centro de Moçambique, agravando a insegurança alimentar da área e do país.

VOA