O presidente da Renamo exonerou o secretário-geral, Manuel Bissopo, e mais quatro oficiais do chefe do Estado-Maior do braço armado do principal partido da oposição, incluindo o estratega militar do líder histórico, Afonso Dhlakama, num processo de “revitalização”, que tem provocado controversas.

Manuel Bissopo foi exonerado num despacho de Ossufo Momade, datado de 15 de Fevereiro, no qual não explica as motivações da decisão e nem indica uma outra pessoa para exercer as funções.

Bissopo ocupava o cargo de secretário-geral desde 2012, após ser eleito no Conselho Nacional em Nampula, em substituição de Ossufo Momade, e foi candidato derrotado à presidência da Renamo no 6º Congresso do partido, que decorreu em Janeiro.

Nas eleições municipais de 2018, Manuel Bissopo, foi cabeça de lista da Renamo na cidade da Beira, e perdeu para Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Analistas consideram normais as alterações no elenco do partido no quadro da “revitalização” da estrutura politica e militar, mas alertam para a “sensibilidade” das mexidas, a nível interno e externo do partido, para evitar a sua penalização nas eleições previstas para este ano.

Para Fernando Lima, analista e jornalista, quer as nomeações das delegações provinciais da Renamo, quer as últimas exonerações, têm como denominador comum o “reforço dos poderes” de Ossufo Momade sobre a organização, no quadro dos estatutos e da sua visão.

“Agora, as pequenas contestações que têm surgido, nomeadamente em Gaza e Sofala, não são de desprezar”, Fernando Lima, sustentando que os militantes advogam a eleição e não nomeações.

Contudo, defendeu que as implicações das decisões do partido nas eleições “dependem até que ponto a contestação a nomeação tiver efeitos, quer sobre as estruturas locais, quer sobre o eleitorado”, lembrando que as anteriores mexidas de Afonso Dhlakama, não impediram a votação ao partido.

Por sua vez, Sansão Nhancale, disse que no actual contexto da sucessão da presidência da Renamo, após vários anos de gestão do líder histórico, Afonso Dhlakama, as decisões de mudanças deviam ser “ponderadas e consensuais”, para evitar cisões das tendências “étnicas politicas” na Renamo.

“A força do centro acredita que o bastião da Renamo é centro, e a força do norte e sul tem as suas convicções, e obviamente vão fazer seu jogo de cintura para fazer passar as suas ideias” advertiu Sansão Nhancale.

Outras exonerações

Desde que foi eleito presidente da Renamo há um mês, Ossufo Momade já exonerou cinco delegados provinciais, nomeadamente de Tete, Manica e Sofala (centro), Gaza (sul) e Cabo Delegado (norte).

Também foram exonerados os delegados distritais da Ilha de Moçambique (Nampula), e da cidade da Beira (Sofala).

Na Beira, a crise interna da Renamo exteriorizou-se com protestos dos membros que boicotaram uma conferência provincial, realizada na semana passada para o empossamento de novos órgãos indicados pelo presidente do partido, tendo eleito órgãos paralelos.

Num despacho, igualmente com a data de 15 de Fevereiro, Ossufo Momade, anula a eleição paralela de Sandura Vasco (para delegado provincial de Sofala) e Luís Chitato (para cidade da Beira), e mantém a indicação de Ricardo Gerente e Aquimo Marata para delegados da província e cidade da Beira, respectivamente.

VOA