O Presidente Filipe Nyusi acusou na quarta-feira (23) os Estados Unidos da América (EUA) de ingerência nas Eleições Autárquicas de 2018 e avisou que nas Gerais de 2019 “os moçambicanos deverão decidir sobre o seu destino, sem manipulação”, ou melhor, apenas com as manipulações do partido Frelimo.

Discursando na cerimónia de apresentação de cumprimentos pelos Membros do Corpo Diplomático e Consular Acreditado em Maputo o Chefe de Estado moçambicanos assinalou que: “Em 2019, temos o desafio da preparação e realização das Sextas Eleições Gerais, exercício democrático em que esperamos contar, mais uma vez, com o apoio de todos os parceiros para que as mesmas sejam bem-sucedidas e se transformem em momento de festa para os moçambicanos”.

“Reiteramos a necessidade de se pautar pela postura vertical, de isenção e observância do princípio de respeito mútuo e não ingerência em matérias domésticas dos Estados. Nas eleições passadas foram observadas algumas tendências referenciadas em certos relatórios, contudo, auguramos que as mesmas não prevaleçam neste ano e que sirvam de lição” disse Filipe Nyusi numa evidente alusão a Declaração da embaixada dos EUA sobre a conclusão do ciclo eleitoral Municipal de 2018.

No passado dia 7, em comunicado, a embaixada norte-americana declarou que “Uma revisão completa das regras e procedimentos eleitorais em torno do apuramento de votos, resolução de disputas e elegibilidade de candidatos deve levar ao desenvolvimento e implementação de reformas que aumentem a transparência e legitimidade destes processos chave. Dar estes passos e garantir que todos os participantes no processo democrático de Moçambique, incluindo eleitores, funcionários eleitorais e de segurança e representantes de partidos, tenham tempo e oportunidade suficientes para compreender os seus direitos e responsabilidades associados, será essencial para assegurar que os resultados das eleições gerais de Outubro de 2019 reflectem a vontade do povo e contribuem para a paz sustentável que todos os Moçambicanos desejam”.

O Presidente Nyusi enfatizou no seu discurso para os diplomatas, mas que não contou com a presença do embaixador dos EUA, que: “Os moçambicanos deverão decidir sobre o seu destino, sem manipulação, porque só assim o país poderá assegurar a estabilidade real, que todos os moçambicanos, a região austral e o mundo desejam”.

Ainda dirigindo-se aos EUA Filipe Nyusi declarou que é esperança dos moçambicanos que no Médio Oriente, “o conflito entre Israel e a Palestina, em nossa opinião, exige a adopção do princípio de cedência mútua razoável no processo negocial para se chegar a um acordo final que contemple a existência de dois Estados soberanos com segurança garantida. Neste sentido, todos os países, com realce os países mais influentes, deverão jogar um papel de persuasão das partes envolvidas”.

Os Estados Unidos da América embora tenham prometido para breve um plano de paz, descrito por Donald Trump como “o Pacto do Século”, têm se mostrado claramente do lado dos israelitas tendo chegado a transferir a sua embaixada para Jerusalém numa clara afronta aos palestinos.

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