O Tribunal de Nova Iorque considera complexo o processo de investigação das “dívidas ocultas”. Na primeira audição em relação ao caso, o Tribunal Federal do Distrito Leste de Nova Iorque agendou uma nova sessão de pré-julgamento para 07 de Fevereiro próximo.

Enquanto Manuel Chang aguarda a decisão da África do Sul sobre a sua extradição para Moçambique ou Estados Unidos, o Tribunal Federal do Distrito Leste de Nova Iorque realizou, terça-feira, a primeira audição do até então considerado maior rombo económico de Moçambique. Uma sessão dirigida pelo juiz William Kuntz.

A Procuradora-Geral dos Estados Unidos classificou de “caso complexo” pelo facto de possuir oito arguidos de, pelo menos, cinco nacionalidades: moçambicana, libanesa, búlgara, neozelandesa e britânica.

E o pior é o facto de o libanês, Jean Boustani, antigo negociador da Privinvest, ser o único indiciado que já se encontra nos Estados Unidos, sendo que os outros estão ainda com os pedidos de extradição em análise, tal é o caso do ex-ministro das Finanças e deputado moçambicano Manuel Chang, mais três arguidos que estão em liberdade condicional no Reino Unido.

Aliás, segundo a RTP, na sessão de ontem a defesa de Jean Boustani pediu a sua liberdade domiciliária para o seu cliente como forma de garantir que este esteja com a sua jovem família, qual acontece com seus co-acusados, Andrew Pearse, Detelina Subeva e Surjan Singh do banco Credit Suisse, que concedeu a Moçambique parte dos 2.2 biliões de dólares.

Um pedido que só terá a resposta na próxima sessão, já marcada para 07 de Fevereiro. Mas a Procuradoria já mostrou o seu posicionamento, dizendo que uma residência de alta segurança, como a proposta pela defesa de Jean Boustani, seria um tratamento diferenciado da Justiça para com arguidos de maior poder económico, sendo uma “prisão privada” de altas condições e cujos oficiais de segurança se podem transformar em “empregados” do arguido.

A acusação diz ainda que se for concedida uma prisão domiciliária, Jean Boustani pode fugir, já que tem apoio do dono da Privinvest, que pode adquirir documentos falsos para ele, utilizando-se do seu poderio económico.

A acusação afirmou possuir mais de um milhão de páginas com transcrições de comunicações, transferências bancárias, históricos bancários dos suspeitos e documentos falsos que vai introduzir até final da próxima semana como material acusatório.Mais desenvolvimentos deste processo deverão ser conhecidos no 05 de Fevereiro, com mais uma audição ao deputado Manuel Chang, onde se espera a decisão sobre a extradição da África do Sul, isto é, dois dias antes da segunda audição ao libanês Jean Boustani, no Tribunal Federal do Distrito do Leste de Nova Iorque.

O País