Destaque Comissão Permanente do parlamento consente prisão preventiva de Chang

Comissão Permanente do parlamento consente prisão preventiva de Chang

A Comissão Permanente da Assembleia da República consentiu hoje a prisão preventiva, em Moçambique, do deputado Manuel Chang, detido na África do Sul em Dezembro, apesar de o principal partido de oposição considerar uma “agressão grosseira” à Constituição.

Nós deliberamos a favor do pedido do Tribunal Supremo”, disse António Amélia, primeiro vice-presidente da Assembleia da República, momentos após a sessão da Comissão Permanente no parlamento moçambicano.

Em causa está um pedido do Tribunal Supremo (TS) moçambicano, que solicita o consentimento do parlamento para imposição da medida coerciva máxima, a prisão preventiva, ao deputado da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, no poder) e antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, no âmbito da investigação às dívidas ocultas.

O primeiro vice-presidente da Assembleia da República esclareceu que o pedido do TS não diz respeito ao levantamento de imunidade, que, segundo a legislação, só pode ser decidido em plenária por voto secreto.

“É preciso esclarecer que a Comissão Permanente não autorizou o levantamento de imunidade, porque nem pode o fazer, e também porque não foi esse o pedido Tribunal Supremo. Neste momento, cabe ao Tribunal Supremo fazer cumprir estritamente a lei”, referiu António Amélia.

A Renamo (Resistência Nacional Moçambicana, oposição), que abandonou a sessão, considera que a decisão da Comissão Permanente fere grosseiramente a Constituição, sublinhando que “não há prisão preventiva que se possa exercer sobre um deputado que tenha imunidade”.

“Notamos que há uma incompetência orgânica, clara e flagrante sobre esta matéria. Aconselhamos a comissão e a presidente da Assembleia da República [Verónica Macamo] a que este assunto possa ser debatido em plenária”, disse Ivone Soares, chefe da bancada parlamentar da Renamo, numa conferência de imprensa separada.

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Ivone Soares acrescentou que se trata de uma “manobra dilatória” para perturbar as investigações e o julgamento em curso na África do Sul, evitando a extradição de Manuel Chang para os Estados Unidos, como já foi pedido às autoridades sul-africanas pela justiça norte-americana.

“Nós estamos desde 2015 a pedir a responsabilização de indivíduos como Manuel Chang, Armando Guebuza [chefe de Estado à altura da contratação dos empréstimos] e outras pessoas que participaram neste processo e não tivemos respostas. Nós não vamos compactuar com isto”, acrescentou Ivone Soares.

No documento submetido pelo TS ao parlamento moçambicano, Manuel Chang é acusado dos crimes de corrupção passiva para ato ilícito, branqueamento de capitais, burla por defraudação, abuso de cargo ou funções, peculato e violação da legalidade orçamental.

Além do ex-ministro das Finanças de Moçambique, no âmbito da investigação norte-americana, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um intermediário da Privinvest foram detidos em diferentes países desde 29 de Dezembro a pedido da justiça dos Estados Unidos.

De acordo com a acusação norte-americana, as dívidas ocultas garantidas pelo Estado moçambicano entre 2013 e 2014 a três empresas de pesca e segurança marítima terão servido de base para um esquema de corrupção e branqueamento de capitais com vista ao enriquecimento de vários suspeitos.

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