A divulgação dos resultados das eleições autárquicas em Moçambique deve começar a ser feita a partir de hoje pelos órgãos eleitorais distritais e não na Internet, disseram fontes oficiais à Lusa.

O portal conjunto do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) e da Comissão Nacional de Eleições (CNE) onde começaram as ser divulgadas as contagens não mostra evolução nos municípios apurados desde quinta-feira.

No portal, mantém-se a informação de que estão processadas 21 das 53 autarquias, com a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, a vencer em 20, perdendo numa delas, Chiure, para a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

No entanto, outras contagens paralelas de plataformas de observação indicam que há mais autarquias apuradas e que a Frelimo, apesar de manter o domínio do mapa, deverá perder municípios para a Renamo. O porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, disse hoje à Lusa que foi decidido que a divulgação dos resultados seguiria o formato regulamentado e idêntico ao de eleições anteriores, passando pelos órgãos de administração intermédia.

A actualização de contagens na Internet foi feita na manhã de quinta-feira até à divulgação dos resultados provisórios pelos órgãos nacionais da CNE e STAE, cabendo agora aos órgão a nível distrital promover a sua divulgação, acrescentou Cláudio Langa, porta-voz do STAE. Só depois os dados serão agregados na totalidade a nível nacional, o que se prevê que possa acontecer dentro de duas semanas, acrescentou outra fonte ligada ao processo.

A plataforma de observação Votar Moçambique considera que “a Renamo está em condições de ganhar dez ou mais municípios, o que seria um máximo histórico” e faria diminuir o domínio da Frelimo, que em 2013 só não venceu em quatro das 53 autarquias.

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) anunciou na quinta-feira vitória na cidade da Beira, uma das mais importantes de Moçambique – e onde o cabeça de lista, Daviz Simango se recandidatava para um quarto mandato. Contagens paralelas apontam para vantagem da Renamo em Nampula, principal cidade do norte, e Quelimane, capital provincial, e onde o principal partido da oposição já fez a festa, segundo a Agência de Informação de Moçambique (AIM). Da mesma forma, adivinha-se uma disputa cerrada entre Frelimo e Renamo no segundo maior município do país, Matola.

Observador