Destaque Renamo e MDM pedem ajuda à sociedade civil para terminar imbróglio pós-eleitoral

Renamo e MDM pedem ajuda à sociedade civil para terminar imbróglio pós-eleitoral

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), os principais partidos da oposição moçambicana, pedem a intervenção das organizações da sociedade civil e dos observadores eleitorais para resolver o imbróglio pós-eleitoral, resultante dos resultados eleitorais das autárquicas de 10 de Outubro.

Os dois partidos continuam a contestar os resultados eleitorais que dão vitíria à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) na maioria dos 53 municípios. Na província da Zambézia, no centro, a Renamo apresentou queixas de fraude e roubo contra a Frelimo junto ao Conselho Constitucional e dos tribunais distritais. Segundo a Renamo, as eleições foram fraudulentas e lamenta que até então  nenhum órgão competente tenha resolvido o problema pós-eleitoral, quando passam já 12 dias depois da votação.

Perseguição e detenções

Na autarquia de Alto Molocué, a norte da Zambézia, vários membros da oposição continuam detidos. Um deles é Alfane Alfane, da Renamo. O segundo vice-presidente da Comissão Distrital de Eleições contou à DW África que está a ser perseguido pela polícia.

Oposição na Zambézia contesta resultados “fraudulentos”

“Eu fui ameaçado por terem dois processos-crime contra mim. O que fiz naquele dia foi apenas perseguir alguém que roubou um computador. Em condições normais, quando se faz um apuramento intermédio, a norma é estarem lá todos partidos políticos e todos os directores. Eles levaram o computador para irem viciar e pôr dados falsos e é este caso que me levou a ficar preso porque andei a contestar e a proibir que assim acontecesse. A situação aqui está um pouco complicada porque a Renamo ganhou em Alto Molocué”, relata.

Alfane Alfane aponta como possível solução abrir processos de negociação para resolver o diferendo localmente: N”ão temos nenhuma esperança, uma vez que o tribunal aqui do distrito podia reunir todas as provas, mas não conseguiu. Podia chamar as pessoas que trabalharam nas mesas de voto e o tribunal não fez. A única esperança que temos é o Conselho Constitucional e se eles inverterem a situação, dizendo também que a Frelimo é que ganhou, isso significará claramente que o processo eleitoral em Alto Molocué foi fraudulento.”

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800 euros de caução para libertar político

As disputas eleitorais na Zambézia também se estendem ao distrito de Maganja da Costa, onde continua preso o director do gabinete da campanha eleitoral do MDM, acusado de fazer a campanha no dia da votação.

A libertação de Assane António está condicionada ao pagamento de 800 euros, explica o cabeça de lista do MDM naquela autarquia. “Ele continua preso, foi condenado a uma pena de um ano e três meses. Nós até agora não conseguimos ter provas, falamos com o juiz para saber qual foi o partido que se queixou e o juiz não sabe, diz que foi a polícia que o apanhou. Isso foi só abuso de poder pela polícia, foi a polícia que abusou. Lá no tribunal pediram 55 mil meticais (800 euros) para o libertar”, diz Alberto Alface.

O presidente da comissão provincial de eleições da Zambézia, Emílio Mpanga, diz que estes casos são da responsabilidade dos órgão da Justiça. “Isso não é convosco, é um caso que se deve tratar com órgãos de gestão e administração da justiça, é só junto do tribunal que se deve consultar”, explicou à DW África.

DW

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