A decisão de Joseph Ratzinger, o papa Bento 16, de renunciar ao trono em 2013 surpreendeu o mundo pela raridade do gesto na história da Igreja Católica.

Em reportagem publicada na edição desta semana, a revista Veja afirma que, entre as razões do gesto extremado, havia o diagnóstico de Mal de Parkinson, doença degenerativa crónica do sistema nervoso central que afecta progressivamente os movimentos.

No dia 11 de Fevereiro daquele ano, ao comunicar a cardeais o ato extremado, Bento 16 deu pistas dos motivos do afastamento: “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência perante Deus, cheguei à conclusão de que as minhas forças, devido a uma idade avançada, não são capazes de um adequado exercício do ministério de Pedro”.

Denúncias de pedofilia acobertadas pela cúpula do Vaticano e escândalos financeiros conturbaram a sucessão de Ratzinger. Segundo Veja, a descoberta do Mal de Parkinson também atormentava o pontífice.

Assinada pela jornalista Adriana Dias Lopes, a reportagem recorre a fontes anónimas, não autorizadas a “falar publicamente” sobre a doença, para reconstituir bastidores da evolução dos problemas de saúde do papa emérito.

Desde o diagnóstico positivo, a rotina de Bento 16 passa por mudanças em decorrência das limitações sofridas pelo corpo. Todas as manhãs, às 7h45, ele recorre a ajuda de assessores para manter-se de pé.

Para responder a cartas de fieis, usa lápis curtos, cortados no tamanho da mão, para ser usado com mais firmeza. As letras ficam miudinhas, típicas de portadores do Mal de Parkinson.

A parte do corpo mais comprometida até agora, segundo a revista, são as pernas. No início, uma bengala auxiliava nas caminhadas. Agora, precisa de um andador e de uma cadeira de rodas. Sem esses amparos, corre risco de cair e se machucar, como aconteceu pelo menos uma vez, o que o deixou com um hematoma no olho.

Com passos curtos e lentos atravessam apenas pequenas distâncias. Quando se desloca até a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, no jardim do Vaticano, percorre os 200 metros em um carro próprio para jogo de golfe.

De acordo com a revista, a doença foi descoberta um ano antes da renúncia, quando Bento 16 foi desaconselhado a fazer viagens transoceânicas por causa dos problemas de saúde. Com isso, ele desistiu de participar da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em julho de 2013. Quem participou do encontro foi seu sucessor, o papa Francisco.

Bento 16 mora dentro do Vaticano, no convento Mater Ecclesiae, um prédio de dois andares e 400 metros quadrados. Sinais de que os movimentos estavam comprometidos apareceram em 2012. Para um deslocamento de 100 metros na Basílica de São Pedro, ele usou uma plataforma móvel, empurrada por auxiliares.

Irmão do papa Emérito, Georg Ratzinger deu uma entrevista em 15 de Fevereiro para a revista alemã Neue Post depois de uma visita ao Mater Ecclesiae. “Meu irmão sofre de uma doença paralisante. O maior medo é que a paralisia possa, a dada altura, atingir seu coração. Aí tudo pode acabar rápido. Oro todos os dias por uma morte boa”, disse Georg.

O vaticano negou a informação. Mas as evidentes limitações físicas de Bento de Joseph Ratzinger e o histórico de não tornar públicas as doenças, como aconteceu no caso do papa João Paulo II, reforçam as informações publicadas por Veja.

Metrópoles