Alguns analistas moçambicanos consideram que era previsível que o presidente interino da Renamo, Ossufo Momade passasse a residir na Gorongosa, no centro o país, em virtude de o partido pretender continuar a pressionar, militarmente, o Governo a fechar o “dossier” sobre a sua desmilitarização.

Em alguns círculos restritos da Renamo já se dizia, após a morte de Afonso Dhlakama, que na primeira vez que o presidente interino da Renamo se deslocasse a Gorongosa ele não regressaria a Maputo, por razões estratégicas.

Mesmo antes do funeral de Afonso Dhlakama, os guerrilheiros da Renamo avisaram que o novo dirigente do partido devia residir na Serra da Gorongosa, até à conclusão do processo negocial com o Governo.

Afonso Dhlakama havia-se refugiado na Gorongosa, por alegada falta de segurança em Maputo ou noutras cidades moçambicanas.

Há quem afirme que este possa ser também o problema de Ossufo Momade.

Contudo, o analista Fernando Mbanze diz que “este facto não tem nada a ver com questões de segurança, mas com a necessidade de manter a pressão militar sobre o Governo até ao fim do processo negocial”.

Por seu turno, o analista Armando Nenane acredita que Ossufo Momade tenha sido pressionado pelos guerrilheiros a residir na Gorongosa, o que significa que a ala militar é que dirige a Renamo e pretende que se feche, com urgência, o dossier sobre questões militares.

Na sua opinião, “as pessoas que neste momento clamam mais pela inclusão, ao nível da Renamo, não são a ala diplomática nem a ala política, mas sim a ala militar”.

Para Nenane,” faz sentido que a liderança da Renamo tenha que se posicionar no lugar onde estão os militares, para que possa dirigir de forma mais próxima esse processo do seu enquadramento nas Forças de Defesa e Segurança” moçambicanas.

E a pretensão da ala militar está reflectida no comunicado da Comissão Política da Renamo, reunida no passado fim-de-semana, e “que recomendou no sentido de, rapidamente, se fechar o dossier sobre assuntos militares”.

VOA