O Comité Central da Frelimo ficou reunido desde sexta-feira (23) e até ao próximo domingo na Matola, nos arredores de Maputo.
No discurso de abertura do encontro, o Presidente da Frelimo, Filipe Nyusi, explicou que a agenda está centrada na análise da actual situação do país, com enfoque para o custo de vida, destacando que é uma questão que preocupa muito os moçambicanos. Acrescentou que os preparativos para as eleições autárquicas de Outubro próximo, bem como as eleições gerais e provinciais do próximo ano estão também entre os assuntos principais.
Recentemente, a Frelimo enfrentou uma derrota histórica nas eleições intercalares em Nampula, a terceira maior cidade do país. Nyusi comentou que este resultado coloca à prova a capacidade da Frelimo de enfrentar e vencer os próximos pleitos eleitorais, mas garante que o partido não tem medo de mudanças.
“É chegado o momento da Frelimo dedicar mais tempo para se revelar grande e afirmar-se como um partido moderno e não absolutista. O absolutismo não é e nunca foi a característica do nosso partido, porque a Frelimo nunca teve medo de mudanças”, afirma Nyusi.
Ainda durante o discurso, Filipe Nyusi apontou que as próximas eleições poderão ser realizadas dentro de um quadro constitucional legal marcado pelo novo modelo de descentralização, em apreciação no Parlamento. Depois dos consensos já alcançados entre o Chefe de Estado e o líder da Renamo, Afonso Dlakhama, o presidente da Frelimo coloca a responsabilidade no partido da oposição.
“A expetactiva de todos os moçambicanos é de que a Renamo não atrase o processo querendo introduzir novas exigências, cuja substância é contrária à do consenso”, afirmou o líder da Frelimo.
Nyusi informou também que prossegue a discussão de detalhes no âmbito de assuntos militares com vista ao desarmamento da Renamo, tendo frisado que “o pacote da descentralização e a questão da desmilitarização e reintegração são duas componentes indissociáveis”.
“No processo democrático, não se tem nenhuma experiência de processos armados de descentralização. São dois processos que, segundo os consensos alcançados, devem caminhar no mesmo ritmo e na mesma direcção que é o alcance de uma paz efectiva e definitiva em Moçambique”.
O presidente da Frelimo aproveitou ainda o momento para condenar os ataques que têm sido levados a cabo por armados desconhecidos na província de Cabo Delgado, desde Outubro do ano passado. Para ele, estes ataques são um atentado à segurança e ordem públicas e uma afronta às instituições do Estado legalmente constituído.
DW

















