O Conselho Municipal da Beira (CMB) iniciou há dias com as demolições de casas erguidas no traçado das valas de drenagem nas zonas de expansão nos bairros da Chota e Macurungo.
A nossa Reportagem soube que nesta fase foram visadas apenas cinco habitações, que impediam a passagem da pá escavadora que está a fazer trabalhos de reabilitação das valas de drenagem danificadas ou em péssimas condições, para permitir um normal escoamento das águas dos referidos bairros.
Apesar de pequenos focos de resistência (gritos e insultos), a pá escavadora realizou o seu trabalho sob o olhar atento das autoridades policiais, que estiveram no local para controlar possível agitação.
O “Diário de Moçambique” soube ainda dos afectados e das autoridades comunitárias que a acção municipal liderada por Daviz Simango deverá continuar e poderá abranger mais de 600 famílias e mais de 300 casas construídas ilegalmente no traçado das valas de drenagem.
Adolfo Afonso e Baba Alves são donos das casas visadas na zona de expansão da Chota e contaram à nossa Reportagem que quando estavam a iniciar com as obras escalou o local uma equipa de fiscais do CMB, avisando para pararem de construir no traçado da vala de drenagem, mas não acataram a mobilização, justificando que não têm onde viver com as famílias e por isso decidiram dar continuidade com as obras.
Um deles disse que, “admito que quando estava em obras fui avisado pelos homens do CMB para parar com as construções. Mas não tenho outro espaço para construir. Tenho mulher e dois filhos. Ganhei coragem porque à semelhança de mim existe muita gente que construiu nas valas de drenagem. Não estou sozinho”, disse
Catarina Maneca, outra visada, repudiou com veemência a acção do CMB em ter destruído a sua casa e diz que gastou muito dinheiro, tempo e esforço para construção da mesma, que em minutos foi deitada a baixo por uma pá escavadora.
“Chegaram homens do município com uma máquina e destruíram a minha casa de tipo 1, ou seja um quarto e sala, e outra do meu vizinho de tipo 3, todas de blocos. Eles alegam que foram construídas na vala de drenagem. Então onde vou ficar com a minha família, pelo menos se me dessem um terreno seguro. Apenas destruíram e foram-se embora”, disse.
Para reagir a destruições das habitações, o “Diário de Moçambique” contactou o chefe do posto administrativo de Chiveve, Manuel dos Santos Mussanema, que referiu que houve violações de normas de ordenamento territorial e afastou qualquer possibilidade de compensação às pessoas afectadas que neste momento continuam abandonadas.
Dos Santos Mussanema assegurou que as demolições vão prosseguir, porque o objectivo é desencorajar tais práticas que não ajudam em nada e que a mesma acção visa a reabilitação das valas de drenagem danificadas ou em péssimas condições, para permitir um normal escoamento das águas. Ou seja, pretende-se melhorar o estado em que muitas valas de drenagem se encontram e evitar alguns alagamentos que com a chuva se registam por obstruções quer com construções e quer com lixo.
A fonte avançou que existem mais de 300 casas construídas ilegalmente no traçado das valas de drenagem e sarjetas.
Mussanema indicou que a cidade da Beira por estar numa zona pantanosa a sua vida depende das valas de drenagem, sendo por isso tem no total 20 quilómetros de drenagem divididos em dois sistemas, o primeiro a céu aberto para a captação das águas pluviais e o outro para as águas residuais, geridas pelo município.
“Beira se existe como cidade é porque existem valas de drenagem para facilitar o acesso das águas pluviais e é obrigação do município reabrir todas as valas para salvar a cidade das eventuais inundações, explicou.
Contou que antes das demolições houve uma campanha de sensibilização, lidera pelo edil da Beira, Daviz Simango, que teve o cuidado de passar nestes locais no sentido de mobilizar as pessoas a pararem de construir nas valas.
“Por isso todo munícipe que obstruiu com construções as valas ou caminho onde deve passar a máquina a sua casa será destruída. Seremos implacáveis porque se tolerarmos estas atitudes maléficas e vontades pessoais estaremos a pôr a vida de pessoas e da cidade em risco”, advertiu.
Manutenção das Valas
O chefe do posto administrativo de Chiveve, Manuel dos Santos Mussanema, disse que o CMB por si só não conseguirá fazer a gestão dos sistemas de drenagem e sarjetas da urbe sem envolvimento da comunidade. Para tal, a medida passa pela sensibilização da sociedade no sentido de se envolver para cuidar das infra-estruturas.
Ele explicou que para o bem destas infra-estruturas é indispensável o envolvimento do munícipe na manutenção e denúncia de casos de vandalização ou deposito de resíduos sólidos, de modo que haja maior esvaziamento das águas, principalmente na época chuvosa que se avizinha.
A fonte precisou que para além da obstrução do traçado das valas de drenagem com construções, várias valas e sarjetas encontram-se obstruídas com plásticos, garrafas, areia, capim, entre outros resíduos.
“Se formos a ver de igual modo, muitas valas e sarjetas, como são os casos da Munhava, apresentam dificuldades para escoar as águas, daí que sempre que chove a rodovia fica inundada e com riscos de provocar doenças hídricas como malária e cólera. Várias são as valas de drenagem que estão cheias de lixo, areia, capim, entre outros resíduos, dificultando o normal escoamento das águas, disse.
Reafirmou que a medida abrangerá a todos sem excepção e ninguém será poupado, muito menos recompensado, caso for necessário uma destruição o CMB será implacável.
Diário de Moçambique















