A antiga Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA), Setina Titosse, principal arguida do caso de desfalque de cerca de 170 milhões de meticais naquela instituição, continua firme nas suas declarações em sede do tribunal negando todas as acusações que pesam sobre si.

Setina Titosse esteve num frente-a-frente com outros arguidos em sessão de julgamento que hoje entrou na fase de acareações, na 7ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, uma sessão que marcou o retomo do julgamento que esteve interrompido por um período de cerca de duas semanas, após terem sido ouvidos todos os arguidos e declarantes no processo.

Setina foi confrontada com as declarações do co-arguido Abdul Rassur, que é casado com uma sobrinha desta, acusado de ter sido convidado pela própria tia a integrar o projecto de alegado financiamento de projectos agro-pecuários.

A acareação das duas partes foi necessária pelo facto de haver um contraditório nos depoimentos dos dois.

Abdul Rassur disse aquando do julgamento e reafirmou hoje que recebeu o projecto de financiamento do FDA na residência da Setina e que assinou o contrato (de financiamento) no mesmo local. Reafirmou ainda nunca ter-se deslocado aos escritórios do FDA.

No entanto, as declarações de Abdul Rassur foram refutadas pela Setina, que disse que os documentos das pessoas que solicitavam financiamento eram todos entregues nos escritórios do FDA, através da Secretaria ou do Departamento Agro-pecuário.

Setina disse não saber quem levou o contrato de financiamento do seu sobrinho Abdul Rassur ao FDA. A arguida assegurou que todos os contratos de financiamento eram assinados na repartição das finanças, mas concretamente no Cartório Privativo das Finanças.

Pelo menos 24 pessoas estão a ser julgadas pelo seu suposto envolvimento no desfalque do dinheiro público ocorrido no período compreendido entre 2012 e 2015.

Os réus são indiciados de terem praticado 355 crimes, segundo consta da acusação proferida pelo Ministério Público (MP), representado pelo procurador João Nhane.

O julgamento do caso arrancou a 12 de Setembro último e é conduzido pelo juiz Alexandre Samuel, da 7ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo.

As acareações prosseguem até quarta-feira.

AIM

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