Terroristas sequestraram fiéis em igreja de Rouen e degolaram o pároco, naquele que foi o primeiro ataque efectivo a atingir símbolos religiosos na Europa. Jacques Hamel era pelo diálogo entre religiões.

Um padre católico francês foi barbaramente assassinado, na terça-feira. Dois homens armados com facas e bombas falsas entraram pela manhã numa igreja de Rouen, em França, e degolaram Jacques Hamel quando celebrava a missa.

É a primeira vez que, na Europa, um templo e o seu sacerdote são sacrificados. O autoproclamado Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque. Dizem os especialistas que, mesmo que tenha sido um ato isolado e que os jihadistas estejam só a aproveitá-lo, o ataque pode ser replicado. E que o fundamentalismo islâmico “está pronto a atacar aqui as comunidades religiosas“.

Terça-feira, pelas 9.43 horas, cinco pessoas foram sequestradas dentro da Igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray e ali mantidas pouco mais de meia hora. Uma conseguiu escapar e chamou as autoridades, outra estava ontem entre a vida e a morte, o sacerdote, um homem de 84 anos que dedicou mais de 50 à Igreja Católica, foi degolado depois de ter sido mandado ajoelhar, com um dos terroristas a fazer um discurso em árabe.

Um dos assassinos, Adel Kermiche, tinha 19 anos e estava referenciado pelas autoridades. Chegou a ser preso numa das vezes em que tentou embarcar para a Síria. Estava com termo de residência e pulseira electrónica. A identidade do outro não foi revelada, mas teria 19 anos também. Foram abatidos.

Até aqui, na Europa, os terroristas abstinham-se de atacar os símbolos religiosos. O que aconteceu hoje é muito mau sinal, é um ataque frontal à religião do outro. Não tenhamos dúvidas de que estamos numa guerra cultural, civilizacional“, analisa Moisés Espírito Santo, do Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões (ISER).

O templo que foi atacado em Saint-Etienne-du-Rouvray fazia parte de uma lista de alvos do extremismo islâmico, na posse de um jovem terrorista de 24 anos que a polícia conseguiu interceptar há pouco mais de um ano. O homem, de origem argelina, teria contacto com terroristas na Síria que lhe pediram para atacar “especificamente” uma igreja, segundo as notícias da altura, em Abril de 2015.

Terça-feira, o templo acabou por ser alvo de um atentado que o EI reivindicaria poucas horas depois. “Os dois autores do ataque a uma igreja na Normandia, em França, eram soldados do Estado Islâmico. Executaram a operação em resposta aos apelos para atacar países da coligação da cruzada“, escreveu o EI no órgão de propaganda, Amaq.

Antes mesmo, já o presidente francês François Hollande tinha vindo dizer que o seu país estava perante “uma nova provocação”. Ainda há menos de 15 dias, a França sofreu um ataque bárbaro em Nice. Em novembro, fora em Paris.

Hollande asseverou que a França está “perante um grupo, o Estado Islâmico, que declarou guerra” e que é preciso “lutar com todos os meios ao dispor, respeitando a lei e a democracia“. O presidente francês recordou que outros países europeus estão sob fogo cerrado e pediu união a toda a Europa. Horas depois, veio dizer ainda que “atacar uma igreja e matar um padre é uma profanação da República” e que “a guerra vai ser longa“.

Trata-se de lutar para manter os valores de uma Europa que “é o berço de toda a civilização moderna“, afirmou o sociólogo Moisés Espírito Santo. “Uma civilização que cresceu e assentou na liberdade, onde cada um pode ser o que entender“, acrescentou, afirmando mesmo que “a civilização ocidental é invencível, precisamente porque tem na base a liberdade e a criatividade, assustando o extremismo, que recorre ao terror“.

JN