Sociedade RSA exige três mil randes para passar na fronteira de Ressano Garcia

RSA exige três mil randes para passar na fronteira de Ressano Garcia

As autoridades migratórias da República Sul Africana (RSA) decidiram exigir a apresentação de três mil randes, em numerário ou comprovativos de disponibilidade desse numerário em banco, como condição para entrar naquele país, a partir da fronteira de Ressano Garcia, em Maputo.

Esta decisão começou a ser implementada na manhã de ontem, o que provocou imediatamente agitação no seio dos utentes da fronteira, que montaram, em protesto, barricadas para impedir a entrada de cidadãos provenientes da África do Sul, ao território moçambicano.

A atitude surpreendeu os utentes daquele posto de travessia, uma vez que não houve nenhum aviso prévio, e nem a contra-parte moçambicana estava alertada da situação.

A decisão de barricar as estradas para que os que quisessem entrar para o país não o fizessem foi tomada a meio da manhã, altura em que parte dos moçambicanos retidos nos guichés previa estar a terminar as suas compras ou outros afazeres no território sul-africano para iniciar a viagem de regresso.

O cenário embaraçou os serviços de migração da África do Sul na medida em que daquele lado havia igualmente pessoas que pretendiam atravessar a fronteira para o lado moçambicano, sendo que muitas delas tinham como destinos locais distantes do centro da cidade que dista apenas cerca de 80 quilómetros.

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Essa medida foi suspensa por volta das 12 horas, altura em que centenas de viajantes, entre 600 e 700, segundo dados oficiais, estavam concentrados no local.

O coordenador do projecto de Fronteira de Paragem Única, Daúde Daia, disse que a exigência do dinheiro foi uma medida unilateral das autoridades migratórias sul -africanas, acrescentando que nem o seu par no projecto foi consultado ou comunicado sobre o plano.

Daia deplorou a atitude, afirmando que a mesma em nada contribui para a boa convivência que se pretende entre moçambicanos e sul-africanos.

O embaixador de Moçambique naquele país também se pronunciou perante este facto e disse que a medida surpreendeu a todos, incluindo os responsáveis seniores dos serviços sul-africanos de Migração e do Ministério sul-africano dos Negócios Estrangeiros.

O acontecimento de ontem marcou o segundo episódio dessa natureza em menos de dois meses, depois de, em Junho os sul-africanos terem decidido, sem comunicação,banir o uso do Certificado de Emergência e do Passaporte Manual (antigo), deixando apenas o documento biométrico.

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