A Ordem dos Franciscanos Menores Custódia de Santa Clara de Assis de Moçambique, uma congregação de missionários religiosos da Igreja Católica, submeteu no final da tarde desta sexta-feira, dia 15 de Novembro corrente, uma carta de apelo à reconciliação e fim das hostilidades ao presidente da República, Armando Guebuza, e ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, apurou o Canalmoz.

Intitulada “A Reconciliação Nacional como pressuposto para a Paz”, a carta que foi proclamada em celebração litúrgica neste domingo dia 17 de Novembro em todas as comunidades cristãs católicas, foi igualmente dirigida à Família Franciscana de Moçambique, às Comunidades Cristãs, aos dirigentes dos Partidos Políticos de Moçambique e aos Homens e Mulheres de Boa Vontade.

“Há mais de um ano que o nosso País vive uma situação que, progressivamente, passou de uma simples instabilidade política para um estado tal, em que se começou a delinear um autêntico espectro de uma guerra civil que evoca os Acordos Gerais da Paz (AGP) assinados em Roma, no dia 4 de Outubro de 1992, entre a Frelimo e a Renamo”, lê-se na carta.

Os missionários fundamentam com factos concretos a tese de reinício da guerra e ao mesmo tempo repudiam o clima de guerra que descrevem como estando a manifestar-se nas suas diversas formas como, por exemplo, nos repetidos incidentes militares entre as Forças Armadas de Defesa e Segurança de Moçambique (FADM e FIR) e os homens armados da Renamo; na multiplicação e na intensificação de atitudes de intolerância e de reacções extremas, entre os signatários dos Acordos de Roma; nos frequentes ataques a viaturas de transportes civil e de mercadorias que, além de comprometerem o percurso normal dos projectos de desenvolvimento económico, destroem as vidas humanas; nos raptos e sequestros de pessoas nos grandes centros urbanos como Maputo, Matola e Beira; na fuga e no abandono de populações inteiras dos seus lugares de residência e a consequente interrupção das actividades escolares; no abandono dos seus lugares de trabalho, de uma parte dos agentes de Saúde, nas regiões directamente afectadas pela instabilidade.

Dizem os Franciscanos que a partir das cifras divulgadas oficialmente, contam-se, nos últimos sete meses, mais de uma centena de vidas humanas que foram inutilmente colhidas nos assaltos a posições militares, nos ataques a civis e nas confrontações entre os grupos militares dos dois maiores partidos.

“Diante deste indesejado quadro da situação político-militar moçambicana e receando que o clima de intolerância e de violência, que se apoderou das mentes e dos corações dos dirigentes políticos de ambos os partidos signatários dos AGP venha a degenerar numa guerra de todos contra todos, nós, os Frades Menores da Custódia de Santa Clara de Assis de Moçambique, a exemplo do nosso pai fundador, São Francisco de Assis – arauto da paz, cuja festa se celebra, precisamente, no dia 4 de Outubro que, por coincidência, é o dia da Assinatura dos AGP para este nosso País – Moçambique – queremos, humildemente, convidar a Família Franciscana de Moçambique, os Cristãos de toda a Igreja de Moçambique, as Classes Dirigentes do Partido no Governo e dos Partidos da Oposição, os Homens e as Mulheres de Boa Vontade,
a rezar pela graça da Paz no nosso País”, refere a carta, lembrando que a paz autêntica é um dom de Deus que deve ser fruto da reconciliação através da verdade.