Em Nacala, há professores que passaram o dia sem salários há nove meses. O administrador local diz que o problema se deve à desorganização dos serviços de educação. O vice-ministro do pelouro, Itai Meque, reconhece que é preciso melhorar os processos

Celebrou-se, sábado último, o dia dos professores moçambicanos, numa altura em que a classe se debate com problemas sérios relacionados com o pagamento de horas extras. As cerimónias centrais da efeméride tiveram lugar na cidade da Matola e foram orientadas pelo vice-ministro da educação, Itai Meque.

As preocupações avançadas pela classe são várias. Vão desde a fortificação da Organização Nacional de Professores (ONP) até à melhoria das condições salariais e de trabalho. Refira-se que o rácio professor/aluno, apesar de estar a baixar, continua preocupante: um professor está para cerca de 70 alunos.

No rol das preocupações, o pagamento de horas extras continua a ser o grande calcanhar de Aquiles. Os professores ficam mais de quatro meses sem ver os valores correspondentes às horas extras nas suas contas.

Discursando na ocasião, Itai Meque apontou a melhoria da qualidade de ensino; construção de mais escolas para expandir o ensino, apetrechamento de salas de aula com mobiliário escolar e, acima de tudo, criação de melhores condições para o professor, como sendo os grandes desafios do sector. “É um grande dia porque estamos a fazer o balanço daquilo que nós fizemos, daquilo que achamos que não fizemos bem, mas que podemos corrigir e integrarmos no desempenho do sector de educação, de modo a melhorarmos a qualidade de ensino (…)”, referiu o governante, citado pela Agência de Informação de Moçambique.

Apesar desses desafios, o vice-ministro diz que o desempenho dos professores moçambicanos é muito bom. “É verdade que precisamos de melhorar o processo, mas, para nós, o desempenho é muito bom. (…) não se pode ser jornalista, médico, enfermeiro, seja o que for, sem a mão do professor”, disse.

Por seu turno, o secretário-geral da ONP, Francisco Nogueira, aproveitou a ocasião para dizer que “os nossos desafios são a fortificação da nossa organização para sermos mais sólidos de modo a que a sociedade confie mais em nós”.