Quem assim o disse foi o secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN), Fernando Faustino, reagindo aos pronunciamentos feitos pelo dirigente do maior partido da oposição no conselho nacional daquele partido.
Entre muitas coisas, Afonso Dhlakama disse, durante aquele encontro, havido em Sandjundjira, que a província de Sofala poderia ser um Estado independente. A este propósito, Fernando Faustino afirmou que o líder da Renamo não tem o Direito do Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) para declarar que Sofala é um espaço territorial que se pode tornar independente do resto do país a seu comando.
Classificando-o como chantagista, Fernando Faustino disse que Afonso Dhlakama deve apreender, duma vez por todas, a respeitar as instituições democraticamente eleitas, como é o caso do Chefe do Estado.
“Quando os combatentes da luta de libertação nacional pegaram em armas, em 1964, foi para libertar os moçambicanos do jugo colonial. A democracia foi instaurada no nosso país e os moçambicanos elegeram o Presidente da República. O Chefe do Estado, como o alto magistrado da nação, deve ser respeitado. Nós não aceitaremos que alguém o vilipendie. O líder da Renamo tem, várias vezes, se dirigido ao Presidente da República de maneira malcriada, e nós não vamos admitir isso”, disse.
Fernando Faustino afirmou que Afonso Dhlakama não deve, constantemente, intimidar o povo moçambicano a quem diz amar mas ao mesmo tempo violenta esse mesmo povo com recurso a armas. “Esta atitude não é de um político, mas sim dum rebelde. Em situações normais, a justiça devia ser feita ao líder da Renamo, porque de viva voz diz que ordenou ataques. Não podemos continuar a viver este cenário de intimidação. Medidas severas devem ser tomadas”, disse.
Para o secretário-geral da ACLLN, embora Afonso Dhlakama tenha o estatuto que tem na sequência do Acordo Geral de Paz, tal não lhe dá o direito de desrespeitar as instituições do país. “Apelamos a Dhlakama para que repense a sua postura, pois o processo democrático está a andar. Não está parado. Que a Renamo saiba conviver em paz com o povo moçambicano, abdicando das suas posições belicistas. Ele deve pôr a mão na consciência, organize melhor o seu partido e não perca tempo em discursos belicistas”, disse.
Reafirmou que pela via das armas, o líder da Renamo não chegará ao poder. Em Moçambique, o poder alcança-se por vias pacíficas e democraticamente instituídas. Segundo Fernando Faustino, as eleições não se ganham na Comissão Nacional de Eleições ou no Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, mas sim através de um trabalho político na base.
“Isso significa que cada partido político deve apresentar às bases o seu manifesto político de governação. Em democracia, não existe alternância política que não seja por via do voto”, disse.
O secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional lançou um alerta à comunidade internacional representada no país para que não assista ao “filme” de forma alheia, sabendo-se que noutras circunstâncias aparece a condenar, com veemência, determinadas situações.
“A comunidade internacional sempre diz que é necessário conversar. Mas conversar como? O Presidente da República já manifestou disponibilidade de conversar com Dhlakama. O líder da Renamo impõe condições. Isso não pode ser. Quem tem problemas a apresentar é ele e deve fazê-lo de forma educada”, disse, acrescentando que numa negociação não deve haver imposições.
Para a fonte, com o diálogo em curso entre o Governo e a Renamo, tudo indica que algumas questões da “perdiz” poderão ser sanadas. Recordou que a Assembleia da República, cuja sessão extraordinária arrancou ontem, agendou como um dos pontos a debater justamente a revisão da Lei Eleitoral.
Aliás, segundo Fernando Faustino, o líder da Renamo perdeu a rica oportunidade de colocar os problemas do seu partido, ao não se ter feito presente na III Sessão do Conselho de Estado. “Ele que saia de onde está e participe no processo político”, disse.
Apelou aos moçambicanos e em especial aos combatentes da luta de libertação nacional para que redobrem a vigilância, denunciando actos de banditismo e de rebeldia.
Noticias

















